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6.4.07

Beleza e Tragédia - "Elefante"

Sob a direção de Gus Van Sant, “Elefante” é um filme com tamanho realismo que chega a ser perturbador. O diretor não poupa criatividade nem nos pequenos detalhes, consegue fazer da câmera os olhos dos personagens, e de certa forma os nossos também. Não há protagonistas, todos personagens estão envolvidos em um mesmo fato, o filme se preocupa em passar a idéia de igualdade, ou seja, tenta ser apenas várias lentes do fato sem se focar em principais. O estilo de filmagem é bem estranho, quase sempre é focada nos personagens de costas, mas isto torna ainda mais interessante esta grande obra que é “Elefante”.

“Um dia aparentemente comum na vida de um grupo de adolescentes, todos estudantes de uma escola secundária de Portland, no estado de Oregon, interior dos Estados Unidos. Enquanto a maior parte está engajada em atividades cotidianas, dois alunos esperam, em casa, a chegada de uma metralhadora semi-automática, com altíssima precisão e poder de fogo. Munidos de um arsenal de outras armas que vinham colecionando, os dois partem para a escola, onde serão protagonistas de uma grande tragédia.”


Muitos devem estar notando semelhança com a tragédia da Columbine High School em 1999, não é apenas semelhança, o filme é uma recriação deste terrível fato que chocou o Mundo e tremeu o governo americano. O mais interessante é que o diretor Gus Van Sant trabalha em cima da tragédia de maneira extremamente original e abrangente. No filme, é possível notar a vida de uma escola, cheia de tormentos, injustiças, segredos, preconceitos e tragédias mudas. A sensação é perturbadora ao ver o filme para quem vive a maior parte do tempo nas escolas, ou seja, para quem vive a estranha experiência que é conviver com estranhos iguais e ao mesmo tempo tão diferentes um dos outros. É mais sinistro ainda, por sabermos que todos correm o risco de um dia serem vitimas de estudantes que vemos todos os dias no bebedouro do colégio, ou na fila da lanchonete.
É bem curiosa a analise real da tragédia, quem estiver interessado em saber mais sobre o acontecido é só clicarem no link:
Tragédia de Columbine
Pelas informações fornecidas pela polícia, escola e famílias dos alunos que efetuaram a matança, é possível perceber que não se trata de adolescentes rebeldes e viciados. Ambos eram adolescentes que viviam na pele o drama de não serem os “queridinhos da escola”, ou os “nerds matemáticos”. Vai muito além disso, ambos provavelmente sofriam da mesma coisa que a maioria dos jovens sofrem, depressão e carência, dois assuntos que não são levados a sério nem pelos pais e nem pelas escolas. A polícia levantou hipóteses de que os alunos tinham certo tipo de adoração a “Hitler” e também a uma máfia gótica, adoradora da morte e etc e tal!!! O mais curioso é que ambos alunos se suicidaram após cometerem a matança dentro da própria escola, deixando com eles uma nota que dizia: "Não culpem mais ninguém por nossos atos. É assim que queremos partir".
Enfim, “Elefante” é um filme sensível mostrando uma gritante realidade, que poucos dão importância, além de mostrar de vários ângulos a vida de vários tipos de adolescentes, os conhecidos, os desconhecidos, os traumatizados, os rejeitados, os silenciosos....
Recomendo!

Curiosidade: O que significa o nome do filme?
O nome faz referência a uma parábola budista na qual vários cegos tocam um elefante, e cada um o descreve de acordo com a parte que tocou: a pata, a cauda, a orelha ou a romba. Mas nenhum é capaz de imaginar o animal em sua totalidade. A nós, é mostrada a “visão” de todos os cegos (uma de cada vez) da parábola, sendo assim, possível tirar nossas próprias conclusões e entender melhor o elefante. Pois, quando se tem a visão de um só dos lados da história, não é possível compreender o que está acontecendo nem o porquê. Também outra interpretação para este título é a história do elefante instalado na sala de estar que só é notado quando o estrago chega a proporções maiores do que o suportável. Mas o próprio diretor disse que o seu filme está mais para a primeira interpretação do que a para a segunda, mas não que esta última esteja errada.