A violência só existe pela falta de bons modos e de diálogo no relacionamento entre as pessoas. Ponto para você, Haneke. A adolescência é fértil para se entregar ao caos do “viver em sociedade” e pode se resumir a um vazio existencial capaz de levar à agressividade e falta de princípios morais, resultando novamente na violência por si só. Novamente, ponto para Michael Haneke. O saldo disso tudo mesmo assim não é muito positivo, ao analisarmos como e o quão profundo esse conteúdo é transmitido. A resposta é pura violência gratuita, sem trilha nem susto hollywoodiano. A tensão provocada pela agressão física e psicológica e a invocação do público para participar da trama é perturbante, mas sustentado em um vazio evidente.
A função do idealizador de uma obra é disponibilizar os elementos a serem utilizados pelo público, dessa forma, felizes aqueles capazes de absorver também as entrelinhas. Mas em Funny Games, isso é limitado pela própria falta de profundidade do tema. Acho que depois de casos reais como menina rica que mata os pais com a ajuda do namorado, pais que atiram a filha da janela de um apartamento, adolescente que mata a ex-namorada depois de fazê-la refém, entre outros, a violência de Funny Games está substancialmente exposta nos noticiários, sem profundos estudos e banal acima de tudo. Resumindo, Michael Haneke não precisava refilmar um filme tão recente e frágil como este. Para os que dão genialidade a Heneke por essa obra, deviam começar a conhecer gente como Lars Von Trier, Alejandro González iñárritu, entre outros. O que não falta para esses é originalidade e conteúdo. No caso de Haneke, falta tempo e paciência para assistir a Violência Gratuita e sair comparando com Laranja Mecânica, por exemplo. É pedir demais.
(PS: Passado a temporada de vestibulares, o Eco Social volta a ativa! Feliz Ano Novo a todos. Boas realizações e felicidades em 2009, esperamos que com menos violência gratuita e mais escafandros e borboletas. Abraço!)