“Champion é um menino solitário, que só sente alegria quando está em cima de uma bicicleta. Percebendo a aptidão do garoto, sua avó começa a incentivar seu treinamento, para fazê-lo um verdadeiro campeão e poder participar da Volta da França, principal competição ciclística do país. Porém, durante a disputa, Champion é sequestrado. Sua avó e seu cachorro Bruno partem então em sua busca, indo parar em uma megalópole localizada além do oceano e chamada Belleville.”
Animação ainda é um gênero que não conquistou o devido espaço e preferência. Para muitos é sinônimo de desenho infantil e entretenimento despretensioso. As exceções mais conhecidas são os amarelos Simpsons e derivados que esbanjam humor negro e críticas sempre atualizadas, sendo consideradas animações para adultos. No cinema o espaço é ainda mais restrito já que as animações ganham sala pelo seu atrativo “Disney” de ser. Porém algumas vezes tivemos o prazer de conhecer trabalhos como Akira, As Bicicletas de Belleville, Persépolis. Na verdade nem todos tiveram, aliás tratam-se de filmes “sérios” demais para Cinemas de Shopping Center, apesar de uma ou outra sala ter recebido esse “tipo sério” por no máximo uma semana (motivo: indicações ao Oscar, etc).
Sob a direção e roteiro de Sylvain Chomet, 8 milhões de dólares foram investidos na produção de As Bicicletas de Belleville. Uma animação fora dos padrões e com tudo pra ser considerada pretensiosa demais. Um exemplo típico de animação que tenta conquistar o título de gênero sério, inteligente e crítico.
Os personagens caricatos do contexto bucólico de uma Paris deprimente e sem brilho são atraentes pela melancolia bizarra e expressividade. A animação é quase uma homenagem ao cinema mudo pelos poucos diálogos (praticamente não há), apesar de ter uma trilha sonora ambientizada muito presente. E é justamente por ser quase todo dirigido em cima de sons e imagens que os personagens se tornam tão complexos e dimensionais, incluindo o sofrido cachorro Bruno e seus sonhos inquietantes. Mesmo com a frieza casualidade de comportamento observado na primeira parte do filme, o sentimentalismo mudo pode ser sentido pela atenciosa direção, inclusive digna de Oscar. Os olhares baixos, sigilosos e preocupados sempre focados e profundos.
Sylvain Chomet ainda cria diversas sátiras, além de criticar o consumismo americano, a obesidade dos fast food, artistas envelhecidos conseqüentemente esquecidos. Vemos isso com a estátua da liberdade obesa e as trigêmeas jovens cantoras e belas, posteriormente velhas e comedoras de sapos, entre outros exemplos. É relevante refletir também sobre os participantes da tal máfia secreta, a qual Champion é vítima e duramente utilizado com fins lucrativos. Talvez, por exemplo, uma analogia à práticas como o tráfico de mulheres para prostituição, a qual evidenciaria a existência de mundos obscuros baseados na lei do dinheiro, prazer e poder.
Recebeu 2 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original ("The Triplets of Belleville"). Perdeu na categoria de Melhor Filme de Animação para Procurando Nemo. As Bicicletas de Beleville é um filme pouco conhecido e comentado, animação excepcional, porém abusiva demais para o convencional cinema animado. Um trabalho que ainda é pouco valorizado.
Animação ainda é um gênero que não conquistou o devido espaço e preferência. Para muitos é sinônimo de desenho infantil e entretenimento despretensioso. As exceções mais conhecidas são os amarelos Simpsons e derivados que esbanjam humor negro e críticas sempre atualizadas, sendo consideradas animações para adultos. No cinema o espaço é ainda mais restrito já que as animações ganham sala pelo seu atrativo “Disney” de ser. Porém algumas vezes tivemos o prazer de conhecer trabalhos como Akira, As Bicicletas de Belleville, Persépolis. Na verdade nem todos tiveram, aliás tratam-se de filmes “sérios” demais para Cinemas de Shopping Center, apesar de uma ou outra sala ter recebido esse “tipo sério” por no máximo uma semana (motivo: indicações ao Oscar, etc).Sob a direção e roteiro de Sylvain Chomet, 8 milhões de dólares foram investidos na produção de As Bicicletas de Belleville. Uma animação fora dos padrões e com tudo pra ser considerada pretensiosa demais. Um exemplo típico de animação que tenta conquistar o título de gênero sério, inteligente e crítico.
Os personagens caricatos do contexto bucólico de uma Paris deprimente e sem brilho são atraentes pela melancolia bizarra e expressividade. A animação é quase uma homenagem ao cinema mudo pelos poucos diálogos (praticamente não há), apesar de ter uma trilha sonora ambientizada muito presente. E é justamente por ser quase todo dirigido em cima de sons e imagens que os personagens se tornam tão complexos e dimensionais, incluindo o sofrido cachorro Bruno e seus sonhos inquietantes. Mesmo com a frieza casualidade de comportamento observado na primeira parte do filme, o sentimentalismo mudo pode ser sentido pela atenciosa direção, inclusive digna de Oscar. Os olhares baixos, sigilosos e preocupados sempre focados e profundos.Sylvain Chomet ainda cria diversas sátiras, além de criticar o consumismo americano, a obesidade dos fast food, artistas envelhecidos conseqüentemente esquecidos. Vemos isso com a estátua da liberdade obesa e as trigêmeas jovens cantoras e belas, posteriormente velhas e comedoras de sapos, entre outros exemplos. É relevante refletir também sobre os participantes da tal máfia secreta, a qual Champion é vítima e duramente utilizado com fins lucrativos. Talvez, por exemplo, uma analogia à práticas como o tráfico de mulheres para prostituição, a qual evidenciaria a existência de mundos obscuros baseados na lei do dinheiro, prazer e poder.
Recebeu 2 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original ("The Triplets of Belleville"). Perdeu na categoria de Melhor Filme de Animação para Procurando Nemo. As Bicicletas de Beleville é um filme pouco conhecido e comentado, animação excepcional, porém abusiva demais para o convencional cinema animado. Um trabalho que ainda é pouco valorizado.
