13.4.08

...sua droga é meu retrato - O Passado

“Rímini (Gael García Bernal) é um jovem tradutor que termina o casamento de 12 anos com Sofia (Analía Couceyro), sua primeira namorada. O filme acompanha o relacionamento do protagonista não somente com a ex-mulher, mas também com a modelo Vera (Moro Anghileri) e Carmem (Ana Celentano).”

Uma co-produção Brasil/Argentina daria um resultado no mínimo familiar, assim como qualquer co-produção latina. Em O Passado, Hector Babenco se desprende da áurea social e política e faz um filme de leito puramente sentimental. E familiar por reproduzir uma das inúmeras faces que o fim de um casamento e a separação podem assumir, com prestígio narrativo extremamente humano. Talvez por isto fica fácil compreender a matéria “entusiasmada” que o Fantástico fez na estréia do filme no Brasil. Ao conferir a película percebe-se o fiasco da matéria ao divulgar o filme de forma tão “brasileira” e simplista de novela das sete, que acabou por se resumir no interesse de entrevistar (aquela entrevista típica: “O tipo de mulher que te atrai? Você é galinha...?”) Gael Garcia Bernal.
“A separação também pode ser parte de uma história de amor”, segundo Babenco. E é neste sentido que o longa discorre seu foco. Não é uma película apenas sobre mulheres obcecadas e homens cafajestes, mas sobre esquecer ou viver o passado. As fotos que Rímini prefere não levar consigo é o passado que ele pretende esquecer e a insistência de Sofia em que ele as compartilhe com ela é a vontade de não se deixar morrer enquanto um amor que foi amado, uma vida que foi vivida ao seu lado. Somos o que fomos no passado mais o que podemos ser no presente, e se esquecer dele é simplesmente matar lembranças, aprendizagens e vidas. “As pessoas não se separam, elas se abandonam” segundo Sofia, na pele de Anália Couceyro em uma performance única no Cinema assim como muitos do elenco formado pelo maduro e estrondoso Gael Garcia Bernal, Ana Celentano, Paulo Autran dentre outros.Babenco baseado no livro de Alan Pauls escreve um roteiro e direção inspiradíssimos, dinâmico em evoluir suas tensões e a história sem se resumir a um discurso piegas em mesmices. Com Ricardo Della Rosa fazendo uma Fotografia detalhada e rica, nos encontramos em um cenário frio e sentimental, humano e sexual, mágico nos caminhos trágicos que aos poucos vão se entregando para um final que resume o filme esplendidamente.

6.4.08

Mr. Mestre 2008 - Resultado da enquete

A pretensão era anunciar o resultado da enquete no mesmo post do Mr.Mestre David Lean, como eu havia anunciado. O especial do cineasta ainda não está acabado, pois não consegui ver um número de filmes suficiente. Mas será postado ainda neste mês. A falta de atualizações do blog é devido ao fato de que estou me preparando para o vestibular. Não está sendo fácil assistir e comentar os filmes, mas sempre que conseguir tempo estarei exercendo o Cinema escrito por aqui!
A seguir estão os vencedores da enquete:

- Martin Scorsese (14 votos)
- Stanley Kubrick (13 votos)
- Francis Ford Coppola (13 votos)
- Alfred Hitchcock (12 votos)
- Luís Buñuel (12 votos)
- Sergio Leone (11 votos)
- Win Wenders (10 votos)
- William Friedklin (10 votos)
- François Truffaut (10 votos)

Grande Abraço!

23.3.08

...don't stop run - 28 Weeks Later

“Seis meses após um poderoso vírus ter aniquilado a população britânica, a reconstrução do território começa a ser feita pelo exército norte-americano. As famílias refugiadas voltam a se instalar em suas casas, mas uma delas, sem saber, carrega um portador de uma mutação tão destruidora quanto a anterior. O caos e a epidemia voltam a se alastrar pelas ruas, obrigando o mundo a se mobilizar contra o mal.”

Fósforo aceso, 3 últimas latas de grãos-de-bico e vinho na mesa. Na mesa também estão um casal sem seus filhos, mocinha sem namorado guardando um prato de comida a sua espera, um tipinho realista e sem esperança e um casal de velhinhos sorridentes. Um caso específico de sobreviventes isolados em uma casa sem pressa de sair, pois lá fora a cambada de raivosos personificados por Danny Boyle no incrível 28 Days Later e mantidos na seqüência estão em transe, famintos e com raiva, literalmente falando. Segundos após para perceber que não se trata de um início apenas, mas da melhor cena do filme e um pouco mais. Que cena! Mas para por ai. 28 Semanas depois é o momento de reconstrução da nação britânica após ter se livrado dos contaminados e isolado uma área fora de risco. Danny Boyle não dá as caras na direção desta vez, dando lugar a Juan Carlos Fresnadillo. Não é difícil perceber a perca que foi a ausência de Boyle para o filme.
Com um orçamento pomposo e distribuidora dando total credibilidade à seqüência, Fresnadillo usa e abusa muito bem. Mas sua intenção não é a mesma que a de 28 Days Later e acaba se esquecendo que não está trabalhando com o gênero terror, apenas. O seu maior erro foi ter pressa demais para estragar tudo e trazer de volta a contaminação. Não percebemos uma vontade muito interessada em discutir moral e ética americana quanto ao tratamento dos sobreviventes, não há aqui uma organização e discussão filosófica ou sociológica entre os isolados a não ser o velho clichê de criar um grupo que protagonize as fugas, as mortes e o sentimentalismo que proporciona durante o filme. O pouco destes elementos que são considerados não conseguem ganhar intensidade suficiente para marcar a obra como crítica e metafórica. Extermínio 2 oferece todo o horror e sangue que não vemos no longa de Boyle. Quanto a forma que é feita não há muito que reclamar, afinal Fresnadillo cria situações bem originais e ousadas com direito a drama e violência familiar intenso. Em certos momentos até cansa esse draminha, que começa a soar chato e sem muito efeito no final da projeção.
A dúvida que não quer calar é se ainda há tempo para uma volta triunfosa de Danny Boyle na seqüência que vem a seguir, passados 28 meses. Já não seria tarde demais? O que é fato é que a ambientação de 28 Weeks Later foi pouco explorada e talvez seja a que daria melhores resultados. O que vem pela frente ainda é novidade, mas vai requisitar muita criatividade.

10.3.08

...em memória de homens e covardes

Dos homens envelhecem os pintos
atrofiados em olhos azuis
Escarros e charutos perdidos
Come tralhas à palavra desluz

De recortes de imprensa
e gibis de cabeceira
ditam traços de homem assassino
de James, pai e pai de bandidos

Não teme ele temer o homem
Só medonho sem leito os gestos
Torna claro seus anos olhados
a Bob, o senhor céus dos infernos

Mal queres palavras ao quase homem
Tão certo covardes será
Jaz amado espelho anseava
Prazer o gatilho amará

Lá já serdes o assassino e o menino
De mal gosto vive o covarde
De mal morto o fora da lei

2.3.08

...thanks is not enough - 3:10 to Yuma

“A história acompanha um rancheiro modesto e desesperado, Dan Evans (Christian Bale), que aceita a missão de escoltar o temido fora-da-lei Ben Wade (Russel Crowe) a uma cidade vizinha, onde passa o tal trem das 3h10 até Yuma, onde ele será encarcerado. O problema é que todo o bando do criminoso já está atrás de Evans, e uma pequena guerra pode começar.” (Fonte da sinopse: Omelete).

Olha eu aqui falando de um western. Leigo ao extremo no gênero, mas a História me dá noção de ambientação fora-da-lei na época da conquista do Oeste. Um crédito para minha crítica que vem a frente. Os indomáveis é infeliz. Prefiro usar 3:10 to Yuma no meu texto.
Por mais leigo que eu seja, senti na refilmagem do original de 1957 a atmosfera de corpos desprovidos de sentimentalismo fraco sob o sol do Arizona. A ânsia de sobrevivência em uma terra de ninguém. Tempos que a confiança não habitava diálogos e amigos duravam segundos. Alguém se sente familiarizado com o cinema velho oeste? 3:10 to Yuma segue confiante com esta ambientação auxiliado por direção e roteiro que merecem respeito. Afinal qualquer fuga de clichês e expressões padrões do gênero é bem-vinda. Com James Mangold (Johnny e June) na direção somos encaminhados para uma história dinamizada e sem demoras. Seqüências fiéis de tiroteio empoeirado com fundo magnífico de uma estupenda fotografia. Segundo a crítica de Érico Borgo no Omelete os deslizes infelizes da refilmagem está em algumas cenas desnecessárias de ação e medo de aproximação mais intensa entre os antagonistas. A referência está aqui para uma noção de segunda opinião, a de quem assistiu ao original. Como não é o meu caso, não estou apto a criticar se há ou não exagero em ação. Mas a distância íntima entre os antagonistas é realmente arrastada por um longo tempo, com raros momentos de quebra. O quadro muda quando o filme se aproxima do final. Uma história onde todos buscavam sobreviver, honestamente ou desonestamente, acaba se rendendo a uma questão de honra, palavra e heroísmo. Ai sim vemos as relações entre os personagens se confessarem entre si, depois de um processo tenso e imprevisível.
O elenco não deixa de ser um dos principais contribuintes para o filme. Contamos aqui com um Russell Crowe incrivelmente maduro e um Christian Bale sempre expressivo. A surpresa maior é Ben Foster (Anjo de X-Men 3) que de tão inspirado acaba sendo o grande cretino odiado do Oeste.
Não é difícil o entusiasmo surgir após a exibição do filme. Se 3:10 to Yuma é ou não um western de primeira, consegue entreter com um enredo balanceado em técnica, profissionalismo e dinâmica. Recomendo!

24.2.08

Mr. Mestre 2008

Galera cinéfila! O Eco Social está meio desatualizado, mas não acaba tão cedo. Como o Mr. Mestre foi bem recebido ano passado, este ano continuo em novo estilo. Ao final do mês de Março o primeiro a ser louvado por aqui será David Lean. Toda postagem será no fim do mês e não teremos mais a enquete mensal. A enquete é anual e começa agora! Logo abaixo está uma lista com 18 nomes (e que nomes). Os 9 mais votados serão os comentados aqui no blog. Espero que votem consciente. Cada nome está vinculado a um link para conhecer o perfil dos cineastas, caso você não conheça algum.
Enquete - Qual(is) nome(s) você quer ver no Mr. Mestre?

Stanley Kubrick

















7.2.08

...agora tenho meu botão snooze - Juno

"Juno MacGuff (Ellen Page) é uma adolescente que engravida de maneira inesperada de seu colega de classe Bleeker (Michael Cera). Com a ajuda de sua melhor amiga, Leah (Olivia Thirlby), e o apio de seus pais, Juno conhece um casal que está disposto a adotar seu filho, que ainda nem nasceu."

Pequena Miss Sunshine 2?
É o que provavelmente os fanáticos por comparações estão fazendo. Comparando! Está certo que semelhanças estão lá: atmosfera, cores, personagens baixinhos, fortes e excêntricos ao lado de um roteiro chapadão que deixam caídos os olhos dos personagens e logo depois brilhando quando tudo já está fudido mesmo(!?). Excelentes combinações, realmente me agradam. Juno não perde neste quesito e ainda exala aquela parada indie que tanto falam e nem mesmo sei se entendem. Posso estar enganado, mas o figurino e as citações de bandas, ícones do rock e clássicos do terror não deixam dúvidas. Resumindo, ambiente descolado de humor curto e grosso geralmente interessante e pouco engraçado. Parece perca de tempo citar essa estrutura que Juno utiliza, mas li algumas críticas que insistiram em julgar todo este “descolamento” como adolescentes excessivos que adoram forçar situações intelectuais em conflito com o cômico e bizarro da juventude e suas piadinhas bobas e sem graça. Talvez seja exatamente isso, mas não cabe a crítica desmerecer a produção por não gostar do ambiente do filme. É fácil notar que este recurso “nova geração” foi a forma mais sutil de discutir gravidez na adolescência e blablá sem cometer o velho e chato clichê: a velha história sempre do mesmo jeito. Juno está fora deste grupo e por isso ganha pontos.
Espero não causar supostas fórmulas de sucesso com o que acabo de defender. Um bom elenco (Ellen Page, Michael Cera, Olivia Thirlby, Jennifer Garner, Jason Bateman ) e roteiro ambientado é o que não falta. A falta de lições de morais é um alivio, finalmente chutaram o jeito Disney de ser. Juno se diferencia por fazer de um tema tão discutido, algo interessante para iniciar uma discussão sobre divergências de valores, costumes e maturidades imatura. O melhor é a leve e divertida trilha sonora impedindo aquele dramalhão, lágrimas e gritos finalizadores que deixam todos no cinema de olhos saltitantes.
Juno flui muito bem e ganha passaporte fácil para o Oscar com 4 indicações, incluindo Melhor Filme. Agora está mais do que claro que a modinha existe. Filmes independentes como Pequena Miss Sunshine e Juno vão surgir por um bom tempo em época de Oscar. E isso é um bom sinal!

6.1.08

...unindo-se a paixão - Geração Futura 11

Não. Isso não é nome de nenhum filme pretensioso! Geração Futura é o que participarei durante todo o mês de Janeiro (dia 7 ao dia 2 de Fevereiro), com muita alegria e dedicação! Sendo assim, ficarei ausente durante este período do Eco Social e dos outros blogs, mas assim que retornar voltarei a todo gás com as matérias. Quem estiver curioso para entender melhor o que é o Geração Futura abaixo está um trecho do texto de um dos coordenadores do projeto. Quem se interessar poderá tentar participar dos próximos Gerações. Já foram 10 edições, esta que estarei será a décima primeira. As oficinas acontecem sempre em Janeiro e Julho!
Galera, então é isso! Grande abraço e logo estarei de volta!

Geração Futura 11

O Canal Futura recebe no dia 7 de janeiro, às 14h, em sua sede, a 11º turma do projeto Geração Futura. São 15 jovens oriundos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, que tiveram seus projetos selecionados. Durante 30 dias, eles participarão de uma oficina de vídeo, com workshops de roteiro, direção, produção, edição, câmera, jornalismo e pesquisa. No final do curso, a 11º turma do Geração vai produzir um vídeo sobre Democracia, a ser veiculado no Canal Futura.
Um detalhe que une os 15 selecionados é a paixão pelo audiovisual. Em época de férias, onde a maioria poderia estar aproveitando os dias de lazer, a opção escolhida foi participar de uma oficina de vídeo. Para isso, escreveram um projeto de inclusão voltado à comunidade onde vivem. Os projetos vão desde a realização de documentários educacionais, até festivais de meio ambiente, cinema e até mesmo criação de um movimento de jovens na política.
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30.12.07

...os vistos no ano 7 - Segunda Parte

Aqui está a lista dos filmes vistos no segundo semestre deste ano. Não é de total confiança já que provavelmente estão faltando alguns filmes que me falhou a memória anotar e acabei esquecendo. Pela lista, consta que assisti a 138 filmes durante todo o ano. Um número que me agrada, aprendi e conheci diversos universos do Cinema. Espero superar melhor as barreiras do tempo no ano que quase se inicia e atingir novos aprendizados desta arte.
A seguir os filmes em negrito são revisões. Os vermelhos são os destaques do mês, que também estão nas imagens ordenadas da esquerda para a direita.
Julho

Traídos pelo Desejo, de Neil Jordan ****1/2

Réquiem para um sonho, de Darren Aronofsky *****

Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino *****

O Pianista, de Roman Polanski ***1/2

O Inquilino, de Roman Polanski ***

Shrek 3, de Chris Miller **1/2

Harry Potter e a Ordem da Fênix, de David Yates ****

Show de Vizinha, de Luke Greenfield **1/2

Curtindo a Vida Adoidado, de John Huges ***

Réquiem para um sonho, de Darren Aronofsky *****

Fale com ela, de Pedro Almodóvar ****

Os Infiltrados, de Martin Scorsese ****

Agosto

Bug, de William Friedkin *****

Velvet Goldmine, de Tod Haynes *****

Pulp Fiction, de Quentin Tarantino ****

A Dama na Água, de M.Night Shylaman ***

Rota Mortal, de John Shiban *

O Diabo Veste Prada, de David Frankel ***1/2

Uma vida iluminada, de Liev Schreiber ***1/2

Dizem por ai, de Rob Reiner ***

E se fosse verdade, de Mark Water ***

Setembro

O Despertar de uma paixão (The Painted Veil), de John Curran ****1/2

Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes *****

O Fabuloso destino de Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet ****

Thelma e Louise, de Ridley Scott ***1/2

No ritmo do amor, de Eitan Anner ***1/2

Garden State – Hora de Voltar, de Zach Braff ****

Nicotina, de Hugo Rodriguez ***1/2

A Intérprete, de Sidney Pollack **1/2

E sua mãe também, de Alfonso Cuáron ****

Half Nelson, de Ryan Fleck ***

Outubro

Tropa de Elite, de José Padilha ****

O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman ****

Safe, de Tod Haynes ****

Cassino Royale, de Martin Campbell ***

O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles ****

Muito bem acompanhada, de Clare Kilner **1/2

O Massacre da Serra Elétrica – O inicio, de Jonathan Liebesman **

Albergue Espanhol, de Cédric Klapisch ****

Nunca é tarde para amar, de Amy Heckerling **1/2

Paris Te amo, vários diretores ***

Novembro

Último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci *****

Ed Wood, de Tim Burton ****

A Árvore dos tamancos, de Ermanno Olmi ****

A marcha dos pingüins, de Luc Jacquet ****

A Passagem, de Marc Foster ***1/2

A Lei do desejo, de Pedro Almodóvar ****

Má educação, de Pedro Almodóvar ***

Carne Trêmula, de Pedro Almodóvar ****

Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg ***1/2

DezembroSaraband, de Ingmar Bergman *****

Os Idiotas, de Lars Von Trier *****

Babel, de Alejandro Iñárritu ****1/2

Senhores do Crime, de David Cronenberg ***1/2

Gerry, de Gus Van Sant ***1/2

Cova Rasa, de Danny Boyle ****

Piaf - La Môme, de Oliver Dahan ****

Menina de Ouro, de Clint Eastwood ***

Closer, de Mike Nichols ***1/2

Julgamento em West Point, de Harry Moses **1/2

Suspiria, de Dario Argento ****

Noites de Cabíria, de Frederico Fellini *****

O Sorriso de Mona Lisa, de Mike Newell ***1/2

Zodíaco, de David Fincher ****

Floresta do Mal, de Joe Lynch **1/2

Apocalypto, de Mel Gibson ***

História Real, de David Lych ****

Alma de Herói, de Gary Ross ***1/2

22.12.07

...to say hallelujah - Noites de Cabíria

"...está dizendo que ele me jogou na água por 40.000 libras?"
"Um pedaço de frango espanta os maus pensamentos..."

"...eu daria meu dinheiro por amor. Mas eles roubam."

"...tenho tudo o que preciso. Até um termômetro."

Cabíria é um personagem universal e eterno. Nada melhor do que isso para tentar falar de Natal e Ano Novo, dois momentos que se resumem a um só. Assistir a excepcional Giulietta Masina neste personagem que Fellini nos apresenta é entender o que é sorrir, entristecer, rir, emocionar, sentir e sonhar com o Cinema. E o Cinema nada mais é do que o retrato ficcional da realidade de ficção. Viver a realidade desta arte é imitar a ficção da vida. Este período de final de ano não se limita a religiões dos homens e sim aos homens de religião, aqueles que vivem pela esperança de viver e viver. Por simples vontade de viver. Por imensa vontade de ganhar. Por inquieta vontade de insistir em desvendar. Por discreta vontade de viver e cultivar. O Natal é a perfeita cilada do homem. O momento em que todos se rendem a culpa e ao amor. O Ano Novo, o momento onde não há espaço para sangrar em lembranças, mas fazer delas o sangue a pulsar. Céticos ou não, todos nascem com o Natal e renascem ao ar de novo ano, ou somente ano novo.
O Blog Eco Social deseja a todos um belo espírito natalino e inovador. Seja ele como for, limitando-se a crenças ou não, deuses ou deusas, amor ou nascimento.
Noites de Cabíria não fala sobre Natal nem Ano Novo, mas é o retrato da perseverança em viver a vida rabiscada. Com cicatrizes na alma e um sorriso inesgotável, aprender a magia de chorar a vida e rir lágrimas do choro. Esta é a obra que deixo para representar este período que deveria durar o ano todo.
Feliz Natal e um próspero Ano Novo!
Fiquem abaixo com essa magnífica cena de Noites de Cabíria. Ela traduz tudo!

15.12.07

...vinil de novo sêmen - Crash

“James Ballard (James Spader) se envolve em um terrível acidente automobilístico que acaba atingido outro carro no qual está um casal. O homem morre e a mulher fica bastante ferida, mas após o trauma e a raiva inicial ela acaba se tornado amante de James. Ao mesmo tempo passam a freqüentar um grupo que tem como fetiche a reconstituição de acidentes de carros, nos quais famosas pessoas morreram. No entanto, estas reconstituições são propositadamente feitas sem nenhuma norma de segurança, aumentando sensivelmente o risco para quem participa da simulação e criando um clima de grande excitação para a platéia. A descoberta deste estranho prazer acaba atingindo a esposa de James e as relações sexuais tendem a serem quase sempre dentro de automóveis.”

Adaptação do romance homônimo do inglês J.G. Ballard, publicado em 1973. David Cronenberg e sua mão engenhosa em expor o absurdo provocativo e repulsivo estilizado em arte consegue, talvez, fazer desta adaptação sua melhor obra. Em contrapartida, o romance de J.G. Ballard se diferencia e muito da adaptação do cineasta. O livro trabalha, estiliza e questiona o bizarro que se estabelece na metáfora aparentemente desconhecida. O foco do autor é mostrar a tecnologia e o homem interligados pelo prazer semântico sexual. Isso se torna o de menos ao decorrer da leitura quando a metáfora aos poucos se desfaz em sentidos provocativos a mente humana. A sexualidade que se cria entre os elementos, homem e tecnologia, soa quase como um ato de incesto. O homem exteriorizando prazer com sua criação, descobrindo simbioses e relações entre o meio de ferragens e novas modelagens acidentais do corpo humano, a ponto portanto de uma inversão de papéis: a tecnologia modificando e criando no homem sua nova sexualidade. J.G. Ballard vai mais além e estiliza em palavras uma nova arte, a arte da morte no colo tecnológico. A colisão entre os carros expõe um ritual de acasalamento e morte unindo homem e metal em um só ser. Esse conteúdo é muito bem trabalhado no livro. Através de descrições detalhadas e obscenas a obra se torna eficaz mesmo com sua meta bizarra e absurda, como os mais radicais gostam de definir. Se “perversão” e”bizarrice” povoa sua mente neste momento, considere-se talvez “normal” e equivocado. Ler Crash é uma experiência interessante e nova, que dispensa definição de livro para sadomasoquistas, tarados ou pervertidos, apesar de muitos apontarem os leitores dessa forma. Você não é exclusivamente o que você vê e lê. Acredito que temos a capacidade de peneirar todo tipo de conteúdo.

Não é difícil perceber que a adaptação para os cinemas da obra de Ballard no mínimo seria inviável, ainda que possível. Cronenberg se atreveu (e muito) e nos presenteou com um filme “maldito”, segundo críticos da época escandalizados pela obra ter recebido o Prêmio Especial do Júri do Festival Internacional de Cinema de Cannes. De maldito o filme não tem nada. Até mesmo perversão seria um termo exagerado para a adaptação. Não temos no filme a riqueza de detalhes nas descrições sexuais que há no livro. Os atos de acasalamento entre homem e tecnologia são descritos com precisão, apontando a ambição do autor em defender as inúmeras relações existentes entre ambos elementos, o que não vemos no filme é claro. Mesmo assim, esta é a deficiência da adaptação de Cronenberg, o foco semântico quase todo descartado. A estética da obra de Ballard está presente na ótima direção do cineasta, mas a estilização física dos atos sexuais se torna excessiva e equivocada. Sem dizer que o cineasta poupou muito em exposição física (talvez para driblar um pouco mais a censura, o que não adiantou). A cena homoerótica entre James Ballard e Vaughan deveria ser a mais cobiçada e trabalhada no filme, pois no livro representa quase que o clímax confirmado de que a tecnologia deixa no homem indefinições cegas em seu prazer sexual, mas o cineasta fez algo leve e irrelevante. Cronenberg voltou muito para a fantasia sexual e quase não usou a metáfora de Ballard. Temos no filme apenas um diálogo em que a nova sexualidade é citada, algo aproximadamente de um minuto e que no fim a exteriorização do prazer ainda se sobressai. O cineasta alterou a obra do autor tirando o conteúdo que daria compreensão a estética bizarra do filme. O que vemos é o cinema de Cronenberg. Para os que leram ao livro é comum sentir a ausência dos elementos da obra original, o livro.
Encontrei um artigo da Istoé de 1997 (leiam neste link antes de continuarem a leitura aqui) discutindo sobre Crash e a tendência artistica provocativa por meio do bizarro, polêmica, absurdos humanos e etc. É interessante o assunto abordado, mas a posição do redator é um tanto relativa e equivocada. Após a leitura percebi que trabalhos ousados a cerca do prazer estranho e desconhecido do homem são vias interessantes de discussão. Devemos respeitar na Arte as leis morais, éticas e conceituais? A opinião de Ivan Cláudio soa superficial demais para o assunto. A freqüente presença do bizarro e instigante em qualquer tipo de arte é uma saída natural do mundo. A sociedade está muito vestida a uniformes, padrões. Exibir realidade comum é fazer cópias de cópias. Exibir o provável estranho que se esconde por dentro da roupa social é mostrar mundos instrospectivos, que insistem em se omitir no meio moral e ético. O ser humano em minha humilde opinião é (heterogeneamente) bizarro e “pervertido” por natureza. Fantasias sexuais e taras estranhas estão ai para confirmar que o “provocativo” é apenas o que não se vê diretamente. Na adaptação de Crash, o termo psicopatologia aparece uma vez e já deixa marcado na obra enquanto no livro acaba se perdendo em meio de tanto sentidos. Talvez J.G. Ballard também pense como eu em relação a bizarros prazeres. Dizer que se tratam de patologia é inseguro. A camuflagem do ser humano é muito forte. Muito bem colocado no artigo da Istoé o exemplo do fotógrafo americano Robert Mapplethorpe e sua arte impensável, sexualmente suja e vulgar, beirando quase o limite bizarro do sexo. Suas obras chegaram atingir o preço de US$ 100 mil cada uma e atingiram uma popularidade relativamente grande quando foi exposta no Brasil. (Ver obras de Mapplethorpe neste link.)
Crash – Estranhos Prazeres é uma de várias obras que são taxadas de absurdas e julgadas em fins sensacionalistas de marketing para o lucro. Ao meu ver, Arte não existe. Existe a Arte dos outros, mas a Arte por si só não tem conceito. Vamos a um museu e vemos a arte dos outros, gostamos ou não. Definir Arte e dar a ela regras e leis baseadas nas nossas é equivocadamente frustrante. Sendo assim, se a Arte “bizarramente escandalizada” tem algum valor a não ser sensacionalista, não há motivos para julgá-la apenas como choque estético. Minha opinião, deixo claro!
Voltando a obra: darei 3 ½ estrelas para a adaptação pela sua direção e estética, infelizmente não posso desconsiderar a falta que a essência da obra original fez! Deixando claro que Cronenberg não acrescenta nada na obra, apenas modifica algumas coisas (inclusive o final, infelizmente). Ignorando a existência do livro, o cineasta fez o seu cinema e fez muito bem.

11.12.07

...sobre amigos e palha pequena - Cova Rasa

“Alex (Ewan McGregor), David (Christopher Eccleston) e Juliet (Kerry Fox), que dividem um apartamento, concordam em permitir que Hugo (Keith Allen), um desconhecido, vá morar com eles, mas logo ele aparece morto, vítima de overdose. Entre seus pertences existe uma mala cheia de dinheiro, que faz com que a vida deles seja alterada de forma brutal.”

Nada como servir a mesa para os amigos e após a refeição ter a louça lavada por eles, os amigos. Nada como enterrar o morto rico e dividir sua fortuna entre eles...os amigos. Exagero meu não é mesmo? Amigo lavar a louça do jantar, dinheiro dividido...que piada! Não soa improvável apenas pra mim ou pra você, Danny Boyle também não vê razão nessa ilusão. E é nessa desconfiança que o também diretor de Trainspotting inicia sua vida cineasta. Cova Rasa não mente em identidade. O Boyle que conhecemos hoje é o de sempre. Aquele provocador cheio de birra e repulsa pelo ser humano, exibidor enojado pelos seus extremos e apreciador decadente de suas hipocrisias. É o que vemos nesse seu primeiro trabalho estrelado por Ewan McGregor, Kerry Fox, Christopher eccleston. Todos vivendo personagens de personalidades (Boyle adora mostrar isso). Talvez não teria sido um filme eficaz sem a direção dinâmica e versátil em gêneros. É incrível a facilidade que Boyle tem em divertir, estilizar dramas, perturbar, chocar, ironizar e finalizar em diversão. Dessa forma que Cova Rasa se desenvolve, desordenado em gênero e convincente em resultado. A premissa que parecia se estender em confusões clichês com alto toque de descontração e humor vai aos poucos e moderadamente se mostrando em imprevisíveis evoluções. Fazer pelo dinheiro. Matar pelo feito. Assumir o erro. Proteger o dinheiro. Nessa história não há espaço para os amigos. A grande questão do filme fica bem clara e preferivelmente, sem respostas. Até que ponto a amizade existe? Sem os amigos para confiar, o que fazer? Tê-los e não confiar, o que fazer? A cova não é funda o bastante e em certo momento ela transborda. E podem acreditar...não há espaço para os amigos. Danny Boyle começou com tudo isso e se fez um nome respeitado no Cinema. Ainda não cometeu nenhum deslize muito relevante, talvez chegou perto em Sunshine, mas mostrou que sabia o que estava fazendo. Não posso dizer o mesmo sobre Uma vida menos ordinária, pois ainda não vi. A Praia é a ferida delicada que aos poucos é apagada (também não posso falar muito, vi há tempos e nem mesmo conhecia Boyle). Sobre Cova Rasa, mais nada a falar. Não quero tirar a imprevisibilidade da obra. No mais, um ótimo começo na carreira de um cineasta que ainda vai fazer muito.

7.12.07

...by Alternative Reel - Top 10 Disturbing Movies

Não costumo postar artigos de outros sites no blog, mas sempre tem a primeira vez. E não é por opção que faço isso, mas domingo tenho uma singela provinha de vestibular para fazer e não tive tempo para ver nenhum filme nem mesmo para escrever sobre os que vi no final de semana passado. Então está feito (ou melhor, está postado o já feito)!
A lista abaixo foi divulgada na sessão top teen do site
Alternative Reel e apresenta uma relação dos 10 filmes mais perturbadores de todos os tempos. As descrições de cada filme foi feita pelo site Toscorama.
Deixo claro que estou fazendo uma repostagem fiel ao original! Não significa que concordo com todos que estão na lista nem com a ordem. Eraserhead, Laranja Mecânica e Freaks eu assino embaixo, mas acho que Freaks merecia pelo menos a 4ª posição. Há também quem sinta a falta de Cannibal Holocaust...e vários outros! Bom...discutimos mais pelos coments!
(Fonte: Toscorama; Alternative Reel).

10 - Monstros (Freaks): Em um circo de atrações bizarras, a linda trapezista Cleopatra é cortejada pelo anão Hans, mas o rejeita até descobrir que este herdou uma fortuna. Seu plano, forjado com o amante Hercules, é casar para depois envenenar o pequeno, mas logo a armação é descoberta e os diferentes se unem pela vingança. O diretor Tod Browning, um ex-contorcionista de circo, havia feito no ano anterior o clássico Drácula com Bela Lugosi.

9 - A Vingança de Jennifer (I Spit on your Grave): Sexploitation de 1978: "esta mulher cortou, mutilou e queimou 5 homens, os deixando irreconhecíveis...mas nenhum júri na América a condenaria!"
8 - El Topo: Anões sem membros e outros personagens bizarros habitam o faroeste surrealista dirigido pelo chileno Alejandro Jodorowsky em 1970. Diz a lenda que o cineasta quer fazer uma continuação estrelada por Johnny Depp e Marilyn Manson.

7 - Audition: Uma falsa audição para um filme dá início a um relacionamento doentio entre uma jovem bailarina e um viúvo. Tenso e dirigido com maestria pelo japonês Takeshi Miike em 1999, o filme inspirou Eli Roth a fazer O Albergue.

6 - Laranja Mecânica (A Clockwork Orange): Kubrick, Malcolm McDowell pré-Calígula, ultra-violência, repressão, lavagem cerebral e Beethoven. Um marco para o cinema!

5 - Aniversário Macabro (Last House on the Left): O filme de estréia de Wes Craven (que décadas mais tarde assinaria a medíocre série Pânico). Lançado em 1972, Aniversário Macabro antecipou longas como O Massacre da Serra Elétrica (1974) e Quadrilha de Sádicos, realizado pelo próprio Craven em 1977.

4 - Henry - Retrato de um Assassino (Henry - Portrait of a Serial Killer): John MacNaughton (Garotas Selvagens) dirigiu em 1986 este filme que traz um assustador Michael Rooker como o psicopata do título, inspirado no matador real Henry Lee Lucas. A cena de estupro, rodada de forma fria e em estilo semi-documental, é chocante.

3 - Salò ou os 120 Dias de Sodoma (Salò o le 120 gionate di Sodoma): Polêmico, censurado, banido e clássico, como Laranja Mecânica. Na trama, um grupo de fascistas submete jovens a 120 dias de torturas inimagináveis. O filme de Pier Paolo Pasolini é difícil de encarar, principalmente na famosa cena da coprofagia.

2 - Irreversível (Irreversible): A idéia do diretor franco-argentino Gaspar Noé era incomodar e ele consegue isso a partir do 1° segundo de projeção, com os créditos subindo ao contrário na tela. Começa então um festival de violência cujo ápice, no meio da película, é um estupro em tempo real e com a câmera fixa, que transforma o espectador em testemunha impotente (ou em um sádico voyeur).

1 - Eraserhead: Particularidade de David Lynch que levou 5 anos para ser feito, sendo lançado em 1977. Mostra o cotidiano deprimente de um homem em um mundo desolador. Neste cenário, o protagonista se torna pai de uma criança mutante. Bizarro e cultuado como os demais trabalhos de Lynch, uma experiência atípica e intrigante.