8.10.07

Mr. Mestre - Bernardo Bertolucci

A temporada de ausência acabou desta vez!
Odeio ficar muito tempo sem postar, mas foi preciso.
O Mr. Mestre de hoje deveria ser Pedro Almodóvar não é mesmo? Não, não é. Vou começar pelo segundo colocado da repescagem, o próximo é Almodóvar.
Infelizmente não pude ver a quantidade de obras de Bertolucci que desejava. Mas o que vi já beira o suficiente para conhecê-lo um pouco. Suas obras mais antigas e políticas é de difícil acesso, não tenho ficha na única locadora da cidade que tem algumas dessas obras, sou de menor, necessita dos pais para fazer a ficha...enfim, um efeito dominó!
Mas...vamos ao que interessa!
Bertolucci me surpreendeu, um cineasta inteligente e manobrista com um perfil incomparável. Estamos diante a um diretor que deveria ser mais comentado e admirado. Mais um injustiçado...

História: Bertolucci nasceu na cidade de Palma, Itália, em 1940. Antes de fazer cinema, estudou na Universidade de Roma e ganhou fama como poeta. Em 61, trabalhou como assistente de direção no filme "Accattone", de Pier Paolo Pasolini. Em 62, dirigiu "La commare secca", mas obteve reconhecimento com seu segundo filme, "Antes da revolução", em que já demonstrava seu estilo político e comprometido com seu tempo. Em 67, escreveu o roteiro de "Era uma vez no oeste", o melhor filme de Sérgio Leone. Já nos Estados Unidos, dirigiu "O conformista" (1970), que chegou a ser nomeado para o Oscar de melhor roteiro. Em 72, sua primeira obra-prima, "O último tango em Paris", escandalizou meio mundo e deu a Bertolucci mais uma chance de concorrer ao Oscar, desta vez como diretor. Depois de fazer "1900", um filme monumental e muito ambicioso, Bertolucci partiu para o drama intimista em "La Luna".
Em 87, consagrou-se com "O último imperador", que recebeu nove Oscars, incluindo os de melhor filme e melhor diretor. Em "O céu que nos protege", nova obra-prima, rodado em 1990, em pleno deserto do Sahara, Bertolucci extraiu interpretações fantásticas de Debra Winger e John Malkovich. Seguiram-se "O pequeno buda" e "Beleza roubada".
Perfil: Um amante da exposição política e dos segredos sexuais obscuros dos humanos, é um cineasta que em resumo possui ousadia. Bertolucci tem uma visão atípica das pessoas e não se culpa em usar o lado estranho e imprevisível em seus personagens, o que marca em suas obras dimensões imprevisíveis e originais. Movimentos de câmara sofisticados é um dos seus pontos característicos, além de possuir um enorme talento em fotografia e cenários, utilizando e abusando de espelhos e sombras (alguém ai concorda que elevadores o atrai?!).
Bertolucci não é do tipo que cobre pêlos e derivados íntimos, seu estilo é o da exposição nua e crua. Último tango em Paris, Os Sonhadores, L aluna entre outros são os exemplos mais marcantes. Eva Green em Os Sonhadores é mostrada em todos os ângulos e com detalhes, nua! O mesmo com Michael Pitt. Essa característica não agrada a todos, mas é inegável que Bertolucci sabe o que faz, e faz muito bem!

Filmografia de Bernardo Bertolucci:

The Dreamers (2003)

Ten Minutes Older: The Cello (2002)

Paradiso e Inferno (1999)

12 Registi per 12 Città (1998) - Documentário

Assédio (L'Assedio, 1998)

Beleza Roubada (Stealing Beauty, 1996)

O Pequeno Buda (Little Buddha, 1993)

O Céu que nos Protege (The Sheltering Sky, 1990)

O Último Imperador (The Last Emperor, 1987)

L'Addio a Enrico Berlinguer (1984)

A Tragédia de um Homem Ridículo (Tragedy of a Ridiculous Man, 1981)

La Luna (1979)

1900 (Nineteen Hundred, 1976)

O Último Tango em Paris (Last Tango in Paris, 1972)

La Salute è Malata o I poveri Morirono Prima (1971)

A Estratégia da Aranha (La Strategia del Ragno, 1970)

O Conformista (The Conformist, 1970)

Amore e Rabbia (1969)

Partner (1968)

La Via del Petrolio (1967)

Il Canale (1966)

Antes da Revolução (Before the Revolution, 1964)

La Commare Secca (1962)

Duas pérolas do Mr. Mestre Bernardo Bertolucci:

Último tango em Paris

Cinema!
Bertolucci faz cinema nesta obra! Tudo fala e se cala por si só, pelo cinema em seu auto glamour e identidade. Tentar expressar essa obra obscura e poeticamente suja é o mesmo que descascar laranjas com colher, inapropriado e cansativo. Último tango em Paris tem linguagem e expressão de Bertolucci, constantemente se complementando e duelando entre si. Uma cena negando outra, um choro e logo após um sorriso de prazer. Dessa forma a narrativa flui em diversos parâmetros, sejam eles racionais e emocionais, mas primordialmente parâmetros humanos.
E que se deixe claro o bizarro no termo humano. Último tango em Paris não foge ao padrão bertolucciano em exibir personagens repletos de esquisitices, imprevisíveis e perigosamente misteriosos. Também é de se destacar as famosas cenas que se tornam imortais, o que alimenta o cinema do passado e que persisti em surgir no presente. Bertolucci sabe como fazer e sustentá-las. Nesta obra é impossível negar a grandiosidade estética e vulgar da cena da manteiga, da seqüência logo em seguida que Paul manda Jeanne cortar as duas unhas da mão, do momento à la The Dreamers em que Jeanne simula vôo no apartamento velho e a última cena, a do tango no salão! São cenas mais do que expressivas, são sentimentos capturados em ângulos se é que isso é possível!
Último tango em Paris é uma obra sobre o amor suprindo a solidão e o sexo suprindo a solidão do amor. E como diz a letra do magnífico Damien Rice: “...This is love, this is porn”. O amor é pornografia! A pornografia que retira desabafos de podridão, sentimentos velhos e inexpressivos.
Um filme belíssimo, uma poesia do inferno sexual e da arte da solidão! Um Bertolucci com estilo!

Os Sonhadores

Nesta obra o lado político e sexual típicos de Bertolucci não deixam de aparecer e molduram uma trama de descobertas, fantasias e postura jovial diante a política. Apesar de muitos críticos julgarem o filme como um vazio pornográfico com pano de fundo político fraco, esta obra é um auge de Bertolucci por ainda mostrar competência e eficácia em sua proposta. Os Sonhadores é um filme sobre jovens! A política, a influência do cinema, os sonhos e as fantasia sexuais são pontos explorados e muito bem anexados ao assunto. Mas antes de tudo, Bertolucci mais uma vez cria glamour cinematográfico o que já deve ser apreciado por si só. Personagens mais uma vez com suas esquisitices e manias, extremamente imprevisíveis.
Um filme extremamente maduro e sensualmente roteirizado, impossível não sentir a nostalgia e estranheza que Bertolucci causa em seus filmes. Para os cinéfilos, é um filme e tanto por se tratar de uma grande homenagem ao cinema com várias passagens de grandes filmes e uma trilha sonora digna da história do cinema.
Bertolucci nos mostra uma paisagem onde tudo é válido. Da mesma forma em Último tango em Paris, o cineasta faz o sujo virar arte e o absurdo em fantástico! Uma obra deliciosa!

12 comentários:

Victor Nassar disse...

Confesso que não acompanho o cinema de Bertolucci, dos filmes dele só vi "O Ultimo Imperador", e não cheguei a ver o "O Último Tango em Paris", vacilo meu. hehe
Mas acho "O Último Imperador" um filme muitíssimo bom já!!
Já o Almodovar eu sou quase um fã! (Se é que é possível isso). Deixo pra comentar no seu próximo post sobre, mas já adianto que "Fale com Ela" é meu preferido!

E Parabéns pelo seu Blog!! Irei linkar no Pipoca!

Abs!!!

ronald disse...

Não viu as obras mais inacessíveis, mas viu a Obra Máxima dele que é o Umtimo Tango em Paris! Filmaço!
Os Sonhadores também é ótimo...

mas recomendo aqueles inacessíveis mesmo, hihi, como La Luna, O Conformista, Assédio... são ótimos!

Wally disse...

Dos poucos que vi de Bertolucci, achei todos ótimos, sendo os Os Sonhadores o melhor e Beleza Roubada é o mais fraco, apesar de bom. Ainda não vi os que a maioria das pessoas consideram as obras-primas: Tango em Paris e Ultimo Imperador.

Ciao!
Ótimo artigo.

Vulgo Dudu disse...

Eu não curto muito os filmes do Bertolucci. Na minha opinião ele faz cinema para inglês ver - e para explicar isso aqui no espaço de comentários seria meio complicado.

Não gostei de "Os Sonhadores" e nenhum filme dele me marcou. Apenas a trilha sonora de "Beleza Roubada", talvez.

Belo blog! Abs!

Cine Mundi disse...

Blz cara, ainda não vi nenhum filme dele!

Tá bacana o blog, abraço

Johnny Strangelove disse...

amigo ... esse sim pode se dizer ... é mestre ... ehehehee
e não sei por que muitos achan que Os Sonhadores um pouco fraco comparado a sua belissima filmografia e mesmo assim é um filme incrivel ...
resumindo ...

um MESTRE.

Abraços

Felipe Nobrega disse...

Acho Bertolucci um "autor" acima de tudo, e tenho como preferência "O Céu que nos Protege" e "O Ultimo Imperador" logo a´tras - essa semana quero ver se assisto Beleza Roubada - que está aqui na estante e acabo nunca vendo.
abraços

Vinícius P. disse...

Puxa, desse diretor vi apenas "O Último Imperador", que é um bom filme, mas nada digno de tantos Oscars. Quero ver "Os Sonhadores", muitos já me recomendaram também.

Abraço!

Alexsandro Vasconcelos disse...

Desses eu só vi O Último Iperadore não gostei tanto...
=/
Esse "Os Sonhadores" me lembrou Ken Park...
hehe

abraço

Rafael Carvalho disse...

Infelizmente do mestre Bertolucci só vi mesmo esse dois que vc comentou e ainda O Céu que nos Protege. Goistei de todos, especialmente O Último Tango. Tenho uma falta muito grande com a filmografia dele, mas espero apreciar mais de seus filmes em breve. Belo texto Wiliam, abraço!!

Andre disse...

André Ourix:

Como grande cinefilo fico entristecido por nunca ter assistido a sequer um filme de bertolluci.
Me falaram muito de "os sonhadores" e o "ultimo imperador", e fico com muita vontade de assistir.
Esses blogs servem pra isso, despertar o interesse alheio por obras nunca dantes vistas. Muito bom William.

Visita la o cineoba.blogspot.com, que tem coisa nova

vlwwwwwww

Anônimo disse...

Num sou inteligente o suficiente para entender os filmes de Bernardo Bertolucci... Eu queria ter entendido o "por trás" de "La luna", queria uma explicação, além do meu surpreenimento pelo enredo. Magda

magui_luv@hotmail.com