31.12.08

...quando o taco faz o jogador - Violência Gratuita

“Um simples período de férias em sua casa de campo a beira de um lago transformando em pesadelo para uma família quando, estranhamente, recebem a visita de dois jovens psicopatas, que os submetem a um tenso jogo de tortura psicológica.”
Um dos filmes mais sustentados por discussões e críticas a fim de se tornar um cultuado exemplar sobre a transgressão social e psicológica do ser humano. Talvez motivado por essa aceitação do conteúdo de seu filme, por boa parte de críticos e intelectuais, Michael Haneke não tenha pensado no risco que estaria se submetendo ao refilmar o polêmico Violência Gratuita. Todo aquele papo de filme para “ler nas entrelinhas” já se encontra desgastado demais, principalmente em tempos que as entrelinhas ganharam formas sólidas e evidentes, nesse caso específico.

A violência só existe pela falta de bons modos e de diálogo no relacionamento entre as pessoas. Ponto para você, Haneke. A adolescência é fértil para se entregar ao caos do “viver em sociedade” e pode se resumir a um vazio existencial capaz de levar à agressividade e falta de princípios morais, resultando novamente na violência por si só. Novamente, ponto para Michael Haneke. O saldo disso tudo mesmo assim não é muito positivo, ao analisarmos como e o quão profundo esse conteúdo é transmitido. A resposta é pura violência gratuita, sem trilha nem susto hollywoodiano. A tensão provocada pela agressão física e psicológica e a invocação do público para participar da trama é perturbante, mas sustentado em um vazio evidente.
A função do idealizador de uma obra é disponibilizar os elementos a serem utilizados pelo público, dessa forma, felizes aqueles capazes de absorver também as entrelinhas. Mas em Funny Games, isso é limitado pela própria falta de profundidade do tema. Acho que depois de casos reais como menina rica que mata os pais com a ajuda do namorado, pais que atiram a filha da janela de um apartamento, adolescente que mata a ex-namorada depois de fazê-la refém, entre outros, a violência de Funny Games está substancialmente exposta nos noticiários, sem profundos estudos e banal acima de tudo. Resumindo, Michael Haneke não precisava refilmar um filme tão recente e frágil como este. Para os que dão genialidade a Heneke por essa obra, deviam começar a conhecer gente como Lars Von Trier, Alejandro González iñárritu, entre outros. O que não falta para esses é originalidade e conteúdo. No caso de Haneke, falta tempo e paciência para assistir a Violência Gratuita e sair comparando com Laranja Mecânica, por exemplo. É pedir demais.


(PS: Passado a temporada de vestibulares, o Eco Social volta a ativa! Feliz Ano Novo a todos. Boas realizações e felicidades em 2009, esperamos que com menos violência gratuita e mais escafandros e borboletas. Abraço!)

8 comentários:

Vinícius P. disse...

Quanto tempo, William! ;-)
Bem, eu não gostei nada desse "Funny Games". Pra começar, acho que toda a idéia de um remake quadro a quadro foi equivocada, segundo que achei a narrativa bem frágil mesmo.
Um ótimo 2009 para você!

Kamila disse...

William, espero que tenha tido boas provas!!! Seja bem-vindo de volta!!!

Ainda não assisti "Violência Gratuita", nem "Funny Games", mas tenho curiosidade de ver o remake só por causa da Naomi Watts, uma atriz de que gosto bastante.

Wiliam Domingos disse...

Vinicius:

Nada me fará entender os motivos desse remake também.

Kamila:

Também gosto muito da Naomi Watts e ela está ótima no filme, atuação pesada.

Vulgo Dudu disse...

Sério que tem gente que compara isso aí com Laranja mecânica? Eu hein, tem maluco pra tudo...

Tava na hora de voltar, hein? Suas resenhas são muito boas para ficarem tanto tempo na gaveta!

Abs!

Will disse...

Vulgo:

Pois é, muitos comparam com Laranja Mecânica. Igual gente que compara muito tb Cama de Gato com Laranja, heuasheuseh!

E valeu pela parte de que minhas resenhas são boas, hehe...é um excelente incentivo a continuar por aqui!
Abraço

Vinícius Lemos disse...

Faaala Will!
Welcome Back!

Seguinte cara, eu acho a obra original um primor! Sádico d+!
Não posso comparar com Laranja Mecânica, mesmo pq a violência do de Haneke é psicológica, enquanto a de Kubrick une esse sadismo com o grafismo - nem preciso dizer q o clássico da década de 70 é supeior né?
Mas Haneke faz uma discussão, ao meu ver, bem profunda sobre o q esperamos de filmes violentos.

Qto à refilmagem, ainda nem vi, mas de antemão penso ser desnecessária. Vou assistir e opinar depois.

Grande abraço

Atila Francis disse...

Oie, meu caro Wiliam
Fico feliz com o seu retorno
E, que bom que voltou com tudo
Adorei o comentário sobre "Violência Gratuita"
Eu, particularmente, gostei bastante do filme, mas, como vc disse, Haneke não precisava mesmo refilmá-lo...
Espero que daqui para frente
tenhamos grandes comentários seus por aqui
Abração

Gustavo H.R. disse...

Olá, William! Fazia tempo que não passava aqui.
Lendo sua crítica, fiquei com a desconfiança de que não vou gostar desse filme. Não gosto de filmes com esse tipo de proposta cínica e pretensiosa.
Mas veremos, também há de se dar uma chance a alguém tão cultuado quanto Haneke (nunca vi um filme dele).

Cumps.