22.8.07

...em tempos de gritos e cores - Velvet Goldmine

“Em 1984, o jornalista britânico Arthur Smart é forçado a escrever uma matéria investigativa sobre o desaparecimento de Brian Slade , sumido há mais de 10 anos. Em 1971, Slade, líder do grupo Venus In Furs, influenciado por seu ídolo e amante, o americano Curt Wild , ajudou a firmar a era do glam-rock, transformando-se num ícone do movimento e causando polêmica ao se maquiar e explorar sua bissexualidade no palco. Para fugir do personagem que criou, Slade forja sua própria morte em público. Ao investigar a suposta falsa-morte de Slade, Arthur Smart se vê obrigado a enfrentar um trecho traumático de seu passado, diretamente ligado à carreira do músico e à própria explosão do Glam na Inglaterra.”




O Festival de Cannes sabia o que estava fazendo quando premiou Todd Haynes com o prêmio de melhor contribuição artística de 1998. Haynes exibe em Velvet Goldmine uma direção de mestre com uma montagem de estilo e um roteiro dinâmico e repleto de referências da época. Nunca tantos flash-backs foram tão úteis e “charmosos” para o enredo como neste filme. É notável o excelente trabalho no figurino, maquiagem e a delirante trilha sonora que além de manter ritmo frenético nos relatos dos personagens ainda consegue divertir até mesmo os que não curtem o estilo. O filme tem no elenco grandes nomes como Jonathan Rhys-Meyers, Ewan McGregor, Christian Bale e Toni Collete. Os principais destaques em interpretação é McGregor e Collete que simplesmente se transportam para a época, para o estilo e exibem na tela ousadia de sobra.
Historicamente, artisticamente e culturalmente (odeio este excesso de “mente”, mas foi necessário) o filme é um dos mais importantes dos últimos tempos. Dizer que é polêmico age como clichê da sinopse acima para quem leu. Muitos ainda fecham os olhos para pensar “a época era assim, é só época, já passou”, mas mesmo assim é um filme para poucos e tenebrosamente colorido para muitos. Em contrapartida é um grande atrativo aos jovens “alternativos” e cinéfilos atuais por retratar um movimento que agitou o cenário da época, mas que hoje é quase desconhecido, o glam rock.
O Glam rock era um estilo de música nascido no final dos anos 60 e popularizado no início dos anos 70. Era principalmente um fenômeno inglês que foi difundido em meados de 1971 e 1973. O Glam foi marcado pelos trajes e performances com muitos cílios postiços, purpurinas, saltos altos, batons, lantejoulas, paetês e trajes elétricos dos cantores. Eram os tempos da androginia e do glamour e suas musicas agitadas de rock n’ roll esbanjavam energia sexual. A ênfase lírica abordava a "revolução adolescente" (T. Rex - “Children of the Revolution “, Sweet - “Teenage Rampage“) assim como uma ampla notoriedade na direção de temas heterosexuais, sobre a decadência e fama. Os cantores de Glam freqüentemente vestem-se de forma andrógina, com maquiagem vistosas, trajes extravagantes. Ambigüidade sexual era um suspense charmoso na época, quase uma moda.
O retrato cinematográfico desta época rendeu em um filme muito charmoso e descontraído. É incrível a dramaticidade que é exibida em torno dos cantores de glam, que eram "personagens" conturbados e difíceis que não costumavam ter belos fins. Velvet Goldmine não deve ser visto como um "musical passatempo", pelo contrário deve ser encarado seriamente por se tratar de uma película fiel aos fatos. Fatos como o prazer pela libertação sexual e difusão da liberdade de expressão através de cores e anti-padrões sexuais. Fatos ainda existentes hoje na mente dos jovens, mas não como na época do Glam rock onde dizer que era “bissexual” e homens saírem na rua maquilados era comum.
A intensidade das semelhanças entre hoje e o glam rock pode ser pequena, mas as características do glam “voltam” a se exibir com o estilo da vez, a New Rave.

New Rave

A New Rave colore as pistas de dança do mundo, ao sons de sirene com direito a bastões de néon coloridos espalhados pelo público e músicas que fundem a melodia indie e momentos caóticos, misturados com música eletrônica. Um estilo que se reflete em rostos e roupas coloridas, principalmente em rostos europeus onde a influência é mais forte (influência criada e difundida pela banda Klaxons, que hoje é febre para os europeus). Os shows são divertidos, coloridos, e o público pula a noite inteira embalado por LSD, ecstasy e por drogas como o poppers, antigo vasodilatador que foi "ressuscitado" dos anos 70; a quetamina, mais conhecida por Special K, anestésico veterinário que, quando transformado em pó, é inalado e dá um "barato" equivalente a uma bebedeira que não deixa ressaca; e o GHB (gama-hidroxibutírico), mais conhecido como ecstasy líquido.
Por mais que apontem semelhanças com a década de 80 e 90 é impossível não notar semelhanças também com o glam rock, basta lembrar que cores também era o forte deste estilo (drogas é o forte de todos). É claro que tudo atualmente possui menos intensidade racional e objetiva, os jovens por mais que semelhantes ao da época do glam rock e várias outras épocas, são jovens cabeças ocas, sem querer generalizar. Muitos entram no embalo da música e se enfeitam como ela expõe e ponto final. Já não se vêem jovens com sede de mudança ou grito revolucionário, as famosas “formas de expressão” foram desvalorizadas pelo simples capricho da famosa “moda”. Mas...
...Bem-vindos a Era Camuflada, a Era dos Anônimos
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15 comentários:

Paulin disse...

hum.. já vi que esse filme te marcou!!
haushauhshaushusa
isso é como uma preparação pro Across The Universe né?? deve ser ótimo
ah, apóio totalmente o movimento Glam Rock, revolucionário na veia, é isso aí!
ashuahushuahsuhuas
cara, hoje eu vi Babel!...
Amanhã eu te conto sobre ele, achei um filme muito vago...
Abraço!

jamagonça disse...

Velvet Goldmine é sim um grande filme. Infelizmente os oposicionistas o odeiam. Mas se dessem uma chance, perceberiam a grandiosidade da obra.

Vinícius P. disse...

Ainda não vi esse filme do Todd Haynes, mas gosto muito de outros trabalhos dele como "A Salvo" e "Longe do Paraíso" - aliás estou bem ansioso por "I'm Not There".

Belo post!

Até mais!

Dr. Phibes disse...

Cara gostei do seu blog vou add ao meu cinedivx bizarro
parabens cara

Luciano Lima disse...

William! Que texto maravilhoso, cara!

Gosto muito de Velvet Godmine e acho que Haynes marcará novamente a industria com "I'm Not There" e sua proposta muito inovadora (algo como: sou eu mesmo e sou vários sem querer).

Falando em moda. Uma outra tendência que vem tomando conta do ocidente é o Visual Kei, no qual cantores orientais (geralmente de rock) tendem a deixar visível a androgenia com muita maquiagem, roupas glamurosas e (quase sempre) canções fabulosas.

O problema realmente existe na falta de opinião da juventude de hoje, claro que não dá para generalizar, mas ainda assim, vemos a moda dominar o corpo de forma completamente despropositada, hoje em dia a mente nem sempre tem espaço nisso...

Andressa disse...

Oi miojoboy!
Tem comentário em requiem!

Wally disse...

Não vi esse filme, mas seu texto me deixou curioso.

Respondendo seu comt lá no blog, adoro Sean Penn, acho ele um estupendo ator. Foi extremamente dificil escolher qual de suas atuações foi melhor, fiquei entre Os Ultimos Passos de Um Homem, 21 Gramas e Sobre Meninos e Lobos, mas mesmo que esteja mais intenso em 21 Gramas, foi no filme de Eastwood que ele me emocionou e me causou arrepios. Por isso, decidi destacar ele nesse filme.

Grande abs.

Rafael Carvalho disse...

Cara, acho que nunca assisti nada do Todd Haynes, nem mesmo Longe do Paraíso, mas pretendo ver algumas coisas dele de agora em diante. Não sou muito fã de rock e seus variados estilos mundo afora, mas o filme me pareceu interessante. Valeu!!

Arthur disse...

Acho este blog tão culto!
O post ficou ótimo (o da Dama na Água tbm), mas pra ser sincero ainda não tinha ouvido falar no filme!
Mas parece ser um tanto estiloso e controvérso...

Vou procurar...

Luana Yara disse...

belo post sobre esse filme!!! Esses estilos dos jovens em diversas épocas realmente vale a pena conhecer!!! adorei a frase:"(...)Bem-vindos a Era Camuflada, a Era dos Anônimos."
E gostei de saber mais sobre esse estilo New Rave...

bye*

Wanderley Teixeira disse...

Através de Velvet Goldmine percebe-se o potencial do novo de Haynes,I'M not there.E novamente o diretor aborda o mundo da música.Gostei bastante de Velvet, é ousado e freneticamente interessante.

Yan disse...

Isso daí é o EMO dos anos 70....uashuashushuashausas

zuera!

Cara, foi mal por nao ter participado da corrente literaria que vc incluiu o meu blog, fiquei sem tempo, se vc for ver a data de cada post no meu blog vc vai ver que demorei muuuiiiittooo p/postar! Agradeço de coração ;)

abraços cara!

Mari disse...

Adoro Toni Collete, o Ewan tb.
Vc viu um que foi baseado na vida de Kurt Cobain do diretor Gus Van Sant?
Beijos

wilson disse...

Preciso ver esse "Velvet Goldmine" urgente, todo mundo mundo fala MUITO bem dele!

Anônimo disse...

necessario verificar:)