30.8.07

...o delírio is inside - Bug

“Agnes White (Ashley Judd) é uma garçonete solitária, que escapou de seu ex-marido Jerry Gross (Harry Connick Jr.), recém-saído da prisão. Ela vive em um hotel de beira de estrada e é apresentada por R.C. (Lynn Colins), sua colega de trabalho, a Peter Evans (Michael Shannon), um veterano da Guerra do Golfo. Peter é do tipo estranho e observador que acaba se relacionando com Agnes. Porém ela passa a viver um pesadelo claustrofóbico quando diversos insetos começam a invadir suas vidas de forma insana e desconhecida.”
É imensa a satisfação que se sente a ir ao cinema e ver um filme de terror absolutamente sem clichês, em tempos em que o gênero foi desvalorizado a jovens chorões e psicopatas com traumas de infância. Há tempos que não via algo bom nas telonas a não ser produções hollywoodianas sangrentas e repetitivas.
Em Bug (ou Possuídos, pra quem curte título nacional, urgh!) a experiência foi realmente diferente e prazerosa. Após alguns erros, William Friedkin (diretor de Exorcista, Operação França...) volta a direção com um filme tão interessante do que se esperava. Friedkin constrói um terror psicológico extremamente angustiante e detalhado, resultando em um filme que saiu melhor do que a encomenda por superar tecnicamente e artisticamente uma história que poderia ser apenas algo bizarro e tolo.
Muito bem roteirizado e ótimos enquadramentos, além de contar com grande performance do elenco que atuam dignamente dispostos a Oscar, principalmente
Ashley Judd que deixa qualquer um de queixo com sua dramatização explosiva.
Um ponto interessante é que o filme não possui trilha sonora, todas as cenas ganham vida através dos atores que se fortalecem ainda mais com as excelentes narrativas. O clima perturbador da trama é realmente de se incomodar, mesmo com a ausência do famoso empurrão que uma boa sinistra música dá a um filme de terror.
É indispensável destacar a presença de lances críticos que Friedkin inclui na trama que agem como tentativas inteligentes para serem exploradas, mas acabam se dispersando na história criando um clima sinistro e misterioso, ou seja, um erro causando um acerto. O filme ainda consegue se mostrar como muito além do que se parece através de indícios de conspirações e dualidade psicológica de interpretação, deixando a nosso cargo tomar uma posição diante o drama dos personagens.
Bug é entretenimento original e um excelente exercício psicológico repleto de cenas intermináveis e sem cortes de puro delírio físico mental. Não vai agradar a todos, talvez nem a maioria, por ser muito além que apenas um simples terror e, portanto, uma trama complexa e marcada por detalhes e grandes narrativas que exigem atenção e entrega de quem está vendo.
A cena final é de tirar o chapéu...obscura e real!

Resultado do Mr. Mestre

1ª Colocação com 26 votos: Pedro Almódovar
2ª Colocação com 23 votos: Bernardo Bertolucci
3ª Colocação com 20 votos : Gus Van Sant
4ª Colocação com 17 votos: Alejandro González-Iñárritu

Como foi avisado apenas os dois primeiros colocados estarão no Mr. Mestre que será postado no inicio de Outubro, portanto o mês de Setembro não terá a edição do Mr. Mestre (questões de tempo). Obrigado por participarem da enquete!

Até logo!
(obs: percebi que dei 3 estrelas e meia para Velvet Goldmine, não entendi o motivo de não ter dado 4 estrelas...enfim, reconsiderando isto, as 4 estrelas é a cotação do filme)!

11 comentários:

Vinícius disse...

Um terror sem trilha era o q eu tava precisando! kero v hj!!!

Wally disse...

Estou louco, louco, louco para ver este filme.

E como assim o senhor ainda não viu Magnólia?!?!?!!?!

Ao (nao) fazer isto você está cometendo o maior dos pecados capitais do cinema.
Já viu Beleza Americana né? Se não, se mate logo.

Grande abraço.

ps: Moore é foda.

Wally disse...

Nossa!
Beleza americana é simplesmente o meu filme preferido de todos os tempos.

Inté.
Te vejo lá no céu.

Vinícius P. disse...

Quero muito ver esse filme, mas ainda não chegou aqui. Não sou exatamente um fã da Ashley Judd, mas dizem que sua performance é digna de Oscar mesmo.

Abraço!

Wanderley Teixeira disse...

Tb pirei com Possuídos, ou melhor BUG.TrABAlho do Friedklin que deveria ser hipervalorizado.E Ashley Judd?Nossa ela soltou finalmente toda a sua veia dramática em um filme acima da média,aliás ela deveria escolher melhor os seus projetos.Como mesmo falou é um terror que foge ao convencional e por isso mesmo será incompreendido e deixado de lado nas salas de cinema.Infelizmente a poderosa performance de Judd naum terá tanta força até o Oscar,culpa da péssima campanha.

Marco Paiva disse...

Queria muito ver esse filme. Principalmente pela Ashley Judd que todos afirmam estar digna de um Oscar...

Gustavo H.R. disse...

Justamente por se portar como um horror psicológico nada convencional, quase um "chamber horror" (usando uma expressão análoga aos "chamber dramas" de Bergman) é que Friedkin desperta o interesse em qualquer um que esteja cheio das mesmices feitas a toque de caixas para teens.
Espero ansiosamente para que BUG chegue aqui na minha cidade!

Mari disse...

Eu ja tinha ouvido falar desse filme to loca para assistir.
Beijos

Rafael Carvalho disse...

Mesmo um pouco atrasado, conferi só hj esse grande filme do Friedkin. Coisa rara em se tratando de cinema de terror em Hollywood. Como muita gente tinha falado bem do filme, as minhas expectativas eram as melhores e se concretizaram. Um terror psicológico de grande qualidade, e sem os clichês do gênero. A utilização reduzida da trilha, a importâmcia dos sons e ruídos, os planos do Friedkin e é claro a soberba atuação da Judd são grandes atrativos. Mas como o Wanderley falou, acho que não vai ter muita chance pra ela no Oscar não. E tu acredita que muita gente que tava na sessão do filme quando eu vi não gostou nada do longa? Público de multiplex é mesmo foda.

E que virada essa do Bertolucci no Mr Mestre hein. Tava torcendo justamente para ele e o Almodóvar ganharem. Sei que votei um monte neles. Valeu velho!!!

Alex disse...

A espera é grande com a chegada de Bug no cinema da cidade.
O "possuídos"(não tinha um nome melhor para ser batizado no Brasil???), mostra o quanto o cinema tem ainda a nos mostrar. O diretor do filme é um assassino de clichê e vai revelar que é possível prender o telespectador apenas com a atuação e bons ângulos! (é esperar para crer)

Só ouço incríveis comentários de Bug.


OBS: Pensava em fazer minha monografia de conclusão de curso sobre o poder que a trilha sonora exerce na condição de telespectador/cinéfilo. mas vou esperar assistir Bug.. Estou achando que irei mudar de idéia.. rs
valeu!

Renato Fernandes disse...

Possuídos (SIC) é o tipo de filme que tinha tudo pra ser um clássico trash, mas acabou dando certo. Realmente o filme já foi bem comentado, mas eu ainda não tive a oportunidade de ver. Apesar dessa história de um filme, ainda mais de terror, sem trilha sonora não ter me agradado muito eu vou dar uma conferida!

Abraços, Will, dá uma olhada lá no blog novo depois, e vê se atualiza o link ;)