11.9.07

...a metamorfose de um grito - Garden State

“Andrew Largeman (Zach Graff) é um ator de televisão razoavelmente bem sucedido, que vive em Los Angeles e leva sua vida num estado de torpor induzido por lítio há anos. Após a morte de sua mãe ele decide retornar à sua casa em Garden State, a qual não via há 9 anos. Mesmo distante por tanto tempo, Andrew não conseguiu escapar da dominação de seu pai, Gideon (Ian Holm). Preocupado em ter que retornar para casa após tanto tempo, ele encontra pelas esquinas de sua cidade-natal antigos conhecidos, que lhe relembram bons momentos de quando morava no local”.
Sabe aqueles filmes que são feitos para penetrar a alma e se alojar pra sempre em suas lembranças?
Se não sabe ainda, tente ver este filme!
Não é o tipo “doce” ou “very pretty” que te faz falar: “ah é bonitinho né”! É o tipo inexplicável de se dizer e perfeitamente coeso em se sentir. Garden State ( ou Hora de Voltar) é um filme existencial e essencialmente realista. Esbanja emoção em uma linguagem abstrata, a linguagem de jovens em criação. Tudo se torna incrível a cada segundo que se confirma perfeitamente comum: amigos de infância, emoções engasgadas, sentimento de nostalgia familiar e vida! Vida! O filme é sobre vida e suas tramóias que só são encaradas quando se tem o poder de gritar de dentro pra fora da alma, do peito, da dor. E que tramóias!? Não se sabe ao certo, só sabe que se resumem em dor e nascimento, silêncio e descoberta. Uma história que ensina qualquer um que um drama é uma comédia logo em seguida, uma lágrima é uma gargalhada quando seca. A essência de tudo isso é um sentimento que se baseia em viver, em se deixar viver. Libertação de sentimentos! É tudo isso que se vê em Garden State. Uma visão profunda de sentir e ter amizades, viver e criar momentos inesquecíveis e tolos, de fazer o bizarro e o decadente se tornarem atrativos para os que ainda acreditam na simplicidade das coisas, uma visão que belisca os sentidos de qualquer um que se entrega no ritmo leve e especial do filme. São sentimentos e mais sentimentos que se expressam, são tantos que deixa confuso e encantado até os cinéfilos mais metidos a conservadores da crítica destrutiva e especuladora. Como eu já disse, é impossível tentar explicar. Garden State é sentimento! E funciona...
Não só funciona na semântica como se auto-individualiza em técnica de primeira, o que não se baseia em renda, mas em criatividade! Direção, criação e atuação dignas de aplausos pela simplicidade e auto-confiança de Zach Braff (Um Beijo a mais, Scrubs). O jovem ator cria um sentimento jovial em aspecto maduro e sem os tipinhos de filmes adolescentes hollywoodiano, um sentimento que se ramifica em lições e mais lições de vida e de não-vida, tudo visto em uma direção harmônica, marcante, moderna, atípica ao lado de uma trilha sonora inesquecível e significativa. Gênero?! Drama, Comédia, Romance...intensamente ligados, sem espaço para clichês! Enfim, Zach faz a famosa técnica semântica (famosa é modo de falar, pois acabei de criar a expressão), tudo se torna mais claro quando analisamos a técnica e o contexto, mas não se sintam intimidados por isso já que tudo flui deliciosamente quando se deixa tudo “subentendido”.
Não é só Zach Braff que merece aplausos, o elenco é outro ponto de tirar o chápeu! Natalie Portman nunca esteve tão viva e engraçada (muito viva, muito engraçada) e Peter Sarsgaard maduro e simbolizado (símbolo: o jovem frustado sem causa e com causa levado por uma imagem de esperança, mascarado pela maturidade, o jovem fracassado tentando algo que não se sabe o que). O filme é repleto de personagens símbolos, comuns. Principalmente o de Large, vivido por Zach, que além de se mostrar um jovem preso a emoções é visto como o sonhador monótono que não sabe no que sonha, mas que sente a falta de alguma coisa. Se o texto está muito confuso pra você é porquê não deve ainda ter visto o filme, mas acho que a lei do subentendido também cai bem neste caso, pode estar confuso mais é perfeitamente significativo para quem conseguiu realmente viver em algum momento da vida. A minha vontade é tentar expressar tudo o que senti com Garden State, mas é frustrante ter a certeza que é perca de tempo! Espero que pelo menos a idéia foi passada...
Garden State atua como o raro atualmente, ele funciona! Assista com prazer e sensibilidade, se deixe levar pelo que ocorrer e pelo que sentir, isto é o básico que deve acontecer diante um filme de sentimento. Se quer se emocionar em grupo, então vá em frente e chame os melhores amigos e os piores também. Talvez os piores te surpreendam!

18 comentários:

Luana Yara disse...

Esse filme deve ser tudo isso e muito mais, como foi apresentado no post!!! Deixa qualquer um com uma baita vontade de assistí-lo!! e a idéia foi passada, tenho certeza de que esse filme é capaz de surpreender muita gente.

Bárbara Cristina disse...

uahsuahsushaushushusa
eu prefiro nem ve isso esses dias
pensa will
eu vendo um filme desse
mto rv pra minha cabeça ou
que isso
parece ser mto top ou!
beijoo

Vinícius P. disse...

Também gostei muito desse filme, sem dúvida um dos melhores de 2004 (por uma lista que fiz, ganharia facilmente um prêmio de roteiro). O mais surpreendente é como o Zach Braff conseguiu um resultado tão bom na direção mesmo sem nenhuma experiência atrás das câmeras. No elenco, destaque para a Natalie Portman (linda, como sempre) e para o Peter Sarsgaard.

Abraço!

Johnny Strangelove disse...

Esse filme deve ser muito bom ... mas nunca me chamou atenção ... dizem que Zack Braff é uma ótima revelação ... eu não sei se posso dizer isso, mas é melhor esperar mais um pouco para ver o que ele possa fazer mais ...

novidades no blog
confira
abraços

Ronald Perrone disse...

Adoro esse filme! A trilho sonora é demais!

Andressa disse...

Nossa! Que texto empolgado e empolgante! Deu muita vontade de ver =D Vou ver se pego no fim de semana!

Adoooro a Natalie Portman! alguem tem conhecimento de alguma interpretação ruim dela?
Revi Closer essa semana e me apaixonei ainda mais por todo o filme! (inclusive por ela)

Valeu Willll

Marco Paiva disse...

Eu acho incrível como o Peter Sarsgaard pode apresentar atuações tão boas em filmes como esse, e e~toa ruins como em Plano de Vôo e A Chave Mestra...

serafim disse...

Bom muito a resenha do filme mew. Vo ve se eu assito ele logo. E vlw por dte dado uma lida ali no blog mew.

Bakemon disse...

Gosto muito desse filme. Simples e eficiente. Natalie Portman realmente está uma fofura.

Wally disse...

Ótimo, delirante, contundente. Um filme único e inesperado. Adorei cada segundo.

4 estrelas

Luciano Lima disse...

O que eu realmente gosto em Garden State é a simplicidade com que ele atiça os nossos pensamentos mais complexos. É como se em algum momento você também sentisse o que os personagens sentem. É um roteiro tão bom que muitas vezes dispensa diálogos e se entrega a competência dos atores (Braff e Portman), os quais passam por olhares os randomicos momentos de tristeza e alegria. Adorei seu texto por que você, mesmo dizendo que não consegue explicar, passa o quanto esse filme é capaz de mecher com a gente e dentro do seu texto há boas e entusiasmadas explicações. Parabéns!

Alex Gonçalves disse...

Sempre tive disposição para ver "Hora de Voltar", mas não o encontro em canto algum. Provavelmente deve ser um drama independente como poucos.

Vinícius Lemos disse...

Zach Braff me surpreendeu tanto com "O Último Beijo" que no dia seguinte estava atrás de "Hora de Voltar". Como já tinha dito no meu blog ele ganhou um novo fã!

Gustavo H.R. disse...

Se o filme é sentimento, e filmes assim são meus favoritos, inclusive aqueles focados nessa juventude, então vou deixar minha antipatia por Zach Braff de lado e pegar o DVD!

Rafael Carvalho disse...

Rapaz, que belo texto esse seu viu. Assisti ao filme um tempo atrás mas me deu vontade de revê-lo. É uma narrativa simples como vc disse, mas extremamente significativa e sem exgeros. O Zach Braff tá realmente de parabéns e a Natalie dispensa comentários. Tomara que ele dirija outra coisa logo. Valeu velho!!

Thalita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thalita disse...

1 comentário: estou me matando de vontade de ver esse filme!!!

Anônimo disse...

Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu