21.10.07

...construindo identidades - Albergue Espanhol

“Xavier (Romain Duris) tem 25 anos e está terminando o curso de Economia. Um amigo de seu pai lhe oferece um emprego no Ministério da Fazenda, mas para assumir o posto o rapaz precisa saber a língua espanhola. Ele decide acabar seus estudos em Barcelona, para aprender a língua. Para isso vai ter que deixar Martine (Audrey Tatou), sua namorada há quatro anos. Ao chegar em Barcelona Xavier procura um apartamento no centro da cidade e acha um em que deve morar com sete estudantes, todos estrangeiros. Com eles Xavier vai descobrir o que é viver em diferenças e se formar com elas.”
Albergue espanhol (filme que tem como sequência Bonecas Russas, o qual ainda não vi) é o típico filme simples e cheio de detalhes significativos, amplas visões e sentimentos podem surgir ou apenas ser mais um filme divertidinho para ser ver com a galera. O segundo caso é difícil de se imaginar acontecer, pois o filme é realmente de estremecer nostalgia até mesmo em quem nunca presenciou as situações da trama.
Viver fora de casa, viver distante da tal cidade natal onde estão as raízes e o sangue nacionalista, nunca é tarefa fácil! Não é difícil apenas para quem está fora do país convivendo com estrangeiros de todas as partes do mundo como vemos no filme, até mesmo em seu próprio país com pessoas que apesar de usarem o mesmo idioma, são diferentes em alguns costumes e culturas. Ambas são situações que naturalmente enfrentam o choque inicial de língua, maneiras, ideologias, preconceitos, costumes diferentes.
Em Albergue espanhol essas situações ficam mais do que claras, mas não para por ai. O filme se revela brilhante ao retratar como o ser humano é mutável e renovador, identidades são criações simbólicas e equivocadas. Ao conviver com pessoas aparentemente de outro mundo, como se estivessem no DNA as diferenças de nacionalidades, contrastes são transformados em complementos. Cada um é o que vive: “Eu sou tudo, eu sou francês, italiano, espanhol, inglês...eu sou tudo, como uma bagunça”. Nos dividir em raças e nacionalidades são formas de separação, individualização e restrição. É claro que há povos de costumes e culturas diferentes, mas é um fato que deveria ser apenas compreendido e respeitado e não ser uma premissa para acabar com relações entre nós mesmos. A natureza do ser humano é igual por natureza e isso não é pleonasmo. Nós somos singulares em essência por isso sempre há espaço para se tornar o que o outro é, talvez sejamos tudo e só precisamos descobrir isso.
Albergue espanhol, de Cédric Klapisch, não é um filme pretensioso no humor ou na sua própria venda comercial, pois não possui os toques de besteirol hollywoodiano com garotos nus segurando tortas de maça no telhado e derivados de exagero jovial, fictício diga se de passagem. O filme é simples, leve e eficaz. Nada de exageros, situações comuns e personagens existenciais. Tudo funcionando, e no final (lindo por sinal) uma linda mensagem e aprendizagem é passada. Quem já passou ou ainda passa por situações semelhantes, vivendo em albergues, repúblicas ou como queiram chamar, certamente sentirá uma nostalgia queimar em sentimentos. De fato, identidades vamos criando pelos nossos caminhos...em um lugar onde éramos estrangeiros, quando partimos uma parte que não existia e que passou existir é como se fosse deixada para trás, mas que pra sempre ficará marcada no ser, na nossa identidade de ser.

11 comentários:

Garotas Cinematográficas disse...

Oi!
curti albergue, o bonecas russas nem tanto, mas vale dar uma olhada!


e quanto ao piaf, que comentasse no meu blog, exatamente: até quem nõ conhece vê com nostalgia :)


bj
Camila

Felipe Nobrega disse...

sabe que ainda não assisti esse, só vi o 'Bonecas Russas" - que é uma espécie de segmento independente - no cinema já a um tempão atrás e gostei pra caramba.
abraços

Vinicius disse...

Quer saber? Ao lado de "E Sua Mãe Também", esse é o filme que melhor fala de amizades desde "Conta Comigo". E ainda tem a magnífica No Surprises do Radiohead como trilha! Vale a pena d+!

Kamila disse...

Tenho uma amiga que adora esse filme. O assisti e concordo. O filme fala sobre a possibilidade de descobertas, de transformações, de crescimento, de experiências novas. Tudo o que a gente experimenta mesmo na juventude.

Vulgo Dudu disse...

Eu morei em Barcelona durante um período da minha vida. Aí, antes de partir, me indicaram esse filme. Cara, não gostei. Achei completamente clichê, chato, previsível. Só o fato do narrador ser um jovem escritor em busca de sucesso já me irritou.

Enfim, questão de gosto mesmo.

Abs.

Vulgo Dudu disse...

Já ia esquecendo, William. Se você gosta de argumentos sinistros, procure "Na companhia de homens", do Neil LaBute. E prepare-se. É um petardo!

Abs.

Gabi Voskelis disse...

vi apenas trechos do albergue espanhol, por falta de tempo.

do pouco que vi, gostei da despretensão com que o cédric klapisch trata de temas profundos.

Fabrício disse...

Albergue Espanhol é um filme muito interessante por falar de pessoas q estao em busca de uma identidade, de uma definição em todos os sentidos, de forma descontraida e alto astral.
Ah! Gostei muito desse blog, parabéns. É bem interessante.
Abraço.

Mob disse...

Nossa,nao sabia que esse filme era tão bom.Nunca tive vontade de ver, apesar de já terem me oferecido algumas vezes.Mas tá valendo e confio no seu gosto.Valeu pela análise!

Rafael Carvalho disse...

Bem Will, não sou um grande fã de O Albegue Espanhol, me falavam muito bem do filme, mas achei sem grandes atrativos, cansativo. Tem vários personagens só que não são bem desenvolvidos pela narrativa. Desinteressante. As Bonecas Russas não vi ainda, nem tenho tanta vontade de ver, mas quem sabe um dia...

Cataclismo Cerebral disse...

Belo filme sobre a comunhão das nacionalidades!

Abraço