19.4.08

...vivendo a coleira de Giotto - Savage Grace

“Barbara Daly Baekeland (Julianne Moore) é uma mulher bonita e carismática. Mas isso não é suficiente para apagar o abismo de classes existente entre ela e seu marido, Brooks (Stephen Dillane), o herdeiro da fábrica de plásticos Bakelite. Quando Tony (Eddie Redmayne), o único filho do casal, nasce, essa delicada relação desaba. Tony é visto pelo pai como um fracassado e, conforme amadurece, se aproxima da solitária mãe.”


Dirigido por Tom Kalin, um premiado roteirista, diretor e produtor que há 15 anos não trabalhava com longa-metragem (desde Swoon – Colapso do Desejo), Savage Grace (ou Pecados inocentes, título nacional) é baseado em livro homônimo de Natalie Robins e Steven M.L. Aronson e relata a história real de Barbara Daly Baekeland, assassinada em 1972 pelo filho.
A primeira parte do filme com Tony ainda bebê é de um glamour cinematográfico altíssimo, requintado à ambientações físicas e sonoras da década de 50 e narrativa típica de alta sociedade, onde até mesmo circunstâncias desagradáveis são contornadas com classe e discrição. A personalidade de Bárbara (fortemente interpretada por Julianne Moore) é quase que cuspida do nada e estamos diante de uma mulher que beira um paradoxo entre o seu meio social e sua natureza psicológica e sentimental. É nesta imprevisibilidade que a história se anuncia durante todas as épocas que se sucedem, as quais também são muito bem ambientizadas, o que dá ao filme proximidades modernas e estilísticas diferenciadas conforme o passar dos anos. O resultado é uma dinâmica de fatos em determinados tempos que vão montando a vivência de personalidades complexas e conflituosas da família Baekeland. Tal dinâmica também traz um certo incomodo ou estranhamento pela falta de planos longos e estabilidade narrativa, o que acaba por se tornar um filme de evoluções rápidas e de identidade desconhecida, algo como uma sucessão de flashes de um sonho aparentemente misterioso.
A direção de Tom Kalin e o roteiro solto e eficiente de Howard A. Rodman fazem um filme atípico e cuidadosamente levado para uma postura sem denominações melodramáticas e personagens culposos. Num contexto que aos poucos surgem o incesto, o homossexualismo e desequilíbrio emocional/mental, a humanização alcançada dos personagens dá a este cenário de relações aparentemente obscuras, aceitação e naturalidade dos fatos se resumindo a atos puramente de amor. A relação da mãe e do filho só é sustentada pela admiração e amor entre eles, mas se desequilibra aos poucos e tomam caminhos confusos conseqüentes a fragilidade emocional de ambos, agravadas constantemente pela ausência do marido e pai. Tom Kalin também se destaca por não cair nas tendências de abordagem do homoerotismo como um fator obscuro e novo, ao invés disso soube filmar com naturalidade a ponto de se passar despercebido.
Savage Grace certamente deixará a maioria do público um pouco confuso pela sua eficiência de relato, assim como diversos detalhes e sentidos que circulam a finalização marcante da história. Trata-se de uma experiência cinematográfica nova e rica, sem padrões e quase não biográfica. Julianne Moore, Eddie Redmayne e Stephen Dillane em performances deslumbrantes.

10 comentários:

Matheus Pannebecker disse...

Estou muito ansioso com esse filme, principalmente por causa do desempenho de Julianne Moore. Mas "Pecados Inocentes" (que título mais horrível) nem deu sinal de vida por aqui! Ele vai passar nos cinemas ou será lançado diretamente em dvd?

Wally disse...

Tão bom assim?? Nossa, me deixou mais interessado do que eu já estava. Moore é ótima e já deve valer o preço do ingresso. Pena que nem chegou por aqui.

Ciao!

Kamila disse...

Estou com muita, mais muita vontade mesmo de assistir a este filme. Seu texto me deixou ainda mais ansiosa. Espero que possa ser lançado em minha cidade.

Isabela disse...

Irei anota-lo aqui na minha lista de filmes para assistir.

Ibertson Medeiros disse...

Gostei de sua resenha. Quero assisti-lo o quanto antes.
Abraço!

Gustavo H.R. disse...

Pelo enredo comburente e recheado de temas polêmicos, deve ser um desafio ao espectador, o que em geral, é interessante. Moore, então, sempre vale a pena ver.
A alugar, sem dúvida!

Fabrício disse...

Putz! Desde que esse filme foi lançado em Cannes, no ano passado, que fiquei super curioso em vê-lo :)
Abraço.

Theodoro disse...

vo procurar no cinema...

Rafael Carvalho disse...

Rapaz, quando tempo que eu não venho aqui hein! Como você tá? Tive que ficar um tepão sem net, daí não postava mais nada no blog e nem visitava os blogs amigos. Mas já estou tirando o atraso. Depois dá uma passada lá no Moviola Dgital.

E estou morrendo de vontade para ver Savage Grace. A história promete um embate forte entre os personagens, um drama daqueles. E Moore é sempre presença marcante em qualquer filme. Mas é melhor não ficar criando grandes expectativas. Só não sei quando terei a oportunidade de vê-lo. Abraço William, até mais!!!!!

Anônimo disse...

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