27.4.08

Mr. Mestre - David Lean

Antes tarde do que nunca. Apresento a vocês o especial do cineasta David Lean e, talvez, fim do mês de Maio postarei o de Martin Scorsese ou François Truffat, ainda não sei se começarei pelos mais votados ou pelos menos votados. Lembrando que estou meio sem tempo pelo vestibular, por isso a incerteza dos posts.
No mais, deixo aqui um pouco do grandioso David Lean. Foram os filmes que consegui ter acesso, mas ficam as outras indicações da excelente filmografia do cineasta.

História: Ele veio de uma família muito tradicional e que o proibia de ir ao cinema quando criança. Seguiu a carreira de contador, mas aos 20 anos largou tudo e foi para o mundo do cinema. Começou servindo chá e carregando latas de negativos nos estúdios Lime Grove, em
Londres. Em pouco tempo passou a montador e em 1942 chegou à co-direção do filme "Nosso Barco, Nossa Alma" em parceria com Noel Coward.
Mas ele chamou a atenção dos críticos e do público com a adaptação para o cinema das obras de
Charles Dickens, "Grandes Esperanças" em 1946 e "Oliver Twist" em 1948.
Muito detalhista e apaixonado por realizar espetaculares épicos, ele criou obras inesquecíveis para os amantes do cinema a partir de "
A Ponte do Rio Kwai", que levou o Oscar de melhor filme em 1957. Seus filmes conquistaram ao todo 28 prêmios Oscar e renderam muitos milhões de dólares em bilheteria. Os recordistas foram "Lawrence da Arábia" e "Dr. Jivago", ambos da década de 60.
Em
1984 ele recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico e morreu sem realizar um sonho que era levar para as telas o romance "Nostromo" de Joseph Conrad, a história de uma república às voltas com uma revolução.Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Lean

Perfil: A marca de um dos grandes realizadores da história do cinema inglês não lhe é concedida por uma simples admiração ao cineasta. David Lean se afirmou amante de grandiosos épicos em 1957 com “A Ponte do Rio Kwai”, sendo antes um cineasta de obras mais simples, porém extraordinárias como “Grandes Esperanças” e “Desencanto”. Após seu primeiro épico, sua mania de grandiosidade e perfeccionismo detalhista só aumentaram e evoluíram a ponto de recriar realidades e cenários históricos magníficos. Obras marcadas pela fotografia e trilha sonora imponente e orquestrada tipicamente ao perfil inglês, forte e dominador. Mas Lean nunca consagrou esta postura positivamente, o que pode-se notar pelas constantes críticas aos ingleses em seus filmes sempre o mostrando interesseiro, arrogante e equivocadamente nacionalista. O choque cultural é outro aspecto observado de forma real em suas obras, em circunstâncias constrangedoras e desumanas. É impossível negar a importância de David Lean para o cinema, afinal é o criador de épicos históricos e marcantes para o gênero que hoje está em decadência. Mas Lean nem sempre agradou os críticos. A partir de “A Ponte do Rio Kwain”, a grandiosidade das obras de Lean geraram críticas vinda de François Truffat e de gente da Nouvelle Vague francesa, aborrecidos com o caráter caro de superproduções do cinema inglês, especialmente o de Lean.

Filmografia:
· 1984
Passagem para a Índia (A Passage To India)
· 1970
A Filha de Ryan (Ryan's Daughter)
· 1965
Dr. Jivago (Doctor Zhivago)
· 1965
A Maior História de Todos Os Tempos (The Greatest Story Ever Told)
· 1962
Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia)
· 1957
A Ponte do Rio Kwai (The Bridge On The River Kwai)
· 1955
Quando o Coração Floresce (Summertime)
· 1954
Papai é do Contra (Hobson's Choice)
· 1952
Sem Barreira no Céu (The Sound Barrier)
· 1950
O Grito da Carne (Madeleine)
· 1949
A História de uma Mulher (The Passionate Friends)
· 1948
Oliver Twist (Oliver Twist)
· 1946
Desencanto ou Breve Encontro (Brief Encounter)
· 1946
Grandes Esperanças (Great Expectations)
· 1945
Uma Mulher do Outro Mundo (Blithe Spirit)
· 1944
Esta Nobre Raça (This Happy Breed)
· 1942
Nosso Barco, Nossa Alma (In Which We Serve)

Três pérolas do Mr. Mestre David Lean:

1) Desencanto (Brief Encounter)

“Um sensível relato do que acontece quando duas pessoas, estranhas e casadas, interpretadas por Celia Johnson e Trevor Howard, acabam se conhecendo por acaso. É a história destas duas pessoas, unidas pelo destino, indefesas por causa de suas emoções, mas redimidas por sua coragem moral.”

Um filme que se destaca pela sua sinceridade e delicadeza. Em tempos que a traição era vista como algo sórdido e grotesco, David Lean consegue expressar com transparência a inocência de uma paixão. O destaque está no roteiro escrito com declarações tão pessoais dos personagens, assim como seus medos e incômodos, o que acaba também dando leves toques humorados a trama. A fotografia em preto e branco se destaca pela estação de trem, o Café onde os passageiros aguardam pelo trem e pelas ruas da cidade. O trem que insiste em apressar os encontros e separar os inocentes apaixonados é o veículo da insegurança vista nas expressões de Célia Johnson e Trevor Howard.
Temos com esta obra um David Lean sensível e criativo, sem grandiosidade técnica de épicos mas com um roteiro marcante, que pouco ousou voltar desde então para o gênero. Um romance único!

2) Lawrence da Arábia (Lawrence of Arábia)

“Em 1935, quando pilotava sua motocicleta, T.E.Lawrence (Peter O'Toole) morre em um acidente e, em seu funeral, é lembrado de várias formas. Deste momento em diante, em flashback, conhecemos a história de um tenente do Exército Inglês no Norte da África, que durante a 1ª Guerra Mundial, insatisfeito em colorir mapas, aceita uma missão como observador na atual Arábia Saudita e acaba colaborando de forma decisiva para a união das tribos árabes contra os turcos.”

Esta certamente é a grande obra do cineasta. O épico consagrado no mundo todo causou admiração inacabável e 7 estatuetas do Oscar (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Edição, Melhor Direção de Arte - A Cores, Melhor Fotografia - A Cores, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora) e mais 3 indicações nas categorias de Melhor Ator (Peter O'Toole), Melhor Ator Coadjuvante (Omar Sharif) e Melhor Roteiro Adaptado.
Lean usa fatos históricos, criatividade mítica e religiosa e dá a obra um aspecto político, heróico e bíblico. Diferente dos pseudo-épicos atuais, Lawrence da Arábia não é minimalista a ponto de fazer de seus personagens apenas veículo para a história. Os personagens nesta obra ganham uma imensidão complexa de atitudes e sentimentos, pondo em cena a relação do homem inglês com o deserto desconhecido. É o choque cultural que muitas vezes determina os rumos incompreendidos seguidos por Lawrence e o torna imprevisível durante algumas fases do filme, as vezes sendo até mesmo confuso por ir do “bom e herói” ao “covarde e inglês”.
Os árabes estão representados por povos de diferentes culturas em constante rivalidade, mas com um inimigo em comum, os turcos. Comum também para os ingleses. É apenas nisso que se baseia a união de ambos, mas é suficiente para que Lean crie um contexto de interesses políticos que se atrapalham ao lidar com duas nações de morais e costumes diferentes.
A trilha sonora é um registro impecável para o Cinema. A fotografia detalhista e expressiva ganha seus pontos ao filmar o deserto com planos abertos, longos e esmagadores. Um épico que só David Lean conseguiu criar.

3) Passagem para a Índia (A Passage to Índia)

“Quando duas senhoras Inglesas de ideias liberais, Mrs. Moore (Ashcroft) e Adela Quested (Davis) chegam à Índia, ficam chocadas com o brutal racismo existente por parte dos ingleses. Felizmente, o bondoso Dr. Aziz (Victor Banerjee) eleva-se à intolerância e guia as duas senhoras numa maravilhosa viagem às misteriosas grutas Marabat. Mas o passeio torna-se em pesadelo, e terrívelmente assustador. As notícias do incidente depressa se espalham por toda a Índia, acendendo o rastilho de uma bomba prestes a explodir.”

David Lean finaliza sua filmografia em grande estilo com esta obra de experiência cinematográfica belíssima. Mantêm a grandiosidade de seus cenários, trilha sonora orquestrada, planos abertos e longos, veiculado pela fotografia detalhista. Porém, talvez, aspectos nunca tão bem contextualizados antes. O choque cultural é o destaque deste exercício de expressão que cria Lean. O visual novo e olhado com desdém pelo inglês ao mesmo tempo os põe a prova de seus costumes e morais, quando são obrigados a conviver indiretamente (as vezes, diretamente) com os indianos. David Lean cria passagens complexas que exigem interpretação delicada de seus detalhes, como o encontro da senhora Moore com Aziz na mesquita e as reflexões sobre o “terrível e belo rio”. As perturbações que as inglesas sofrem nas cavernas misteriosas de Marabat também são intimistas e sensíveis, retomando a capacidade de Lean em criar situações sinceras, difíceis e humanas. Lean também discursa sobre a imposição jurídica inglesa em outras nações e as conseqüências de seus julgamentos a um ser de cultura e concepções diferentes.
E é anos após que David Lean se despede do cinema, falecendo em 1991. Obras que de uma forma ou outra interferiram na composição do Cinema. Passagem para a Índia é um exemplar disso e de todos os aspectos característicos de David Lean.

16 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Cara, eu nunca assisti nada do Lean, mesmo que já tenha ouvido falar muito de Lawrence da Arábia e da atuação do Peter O'Toole nesse filme. Quem sabe depois desse post eu não me anime a procurar os filmes do Lean? Tomara!

Alex Gonçalves disse...

Assim como o Rafael aí, também não vi nada do David Lean. Mas aproveitarei este post para começar a locar os seus filmes. Devo iniciar com "Passagem para a Índia".

Alex Gonçalves
www.cineresenhas.wordpress.com

Isabela disse...

Um homem com obras no curriculo como Dr Jivago e Lawrence da Arábia, merece todo meu carinho e admiração.

Kelnner disse...

Opa doutor!!! Como está???? Realmente o Lean é um dos grandes mestres que nos proporcionou filmes simplesmente extraordinários... Pena que gênios assim estejam em falta na Hollywood de hoje ;-)

Abraços e dá uma passada no Smells que tem presente pra ti... ehehehehehe...

Ibertson Medeiros disse...

Grande post!!!
Também não conheço nada desse grande diretor, mas tenho que ver essas obras, principalmente Doutor Jivago, A Ponte do Rio Kwai e Lawrence da Arábia.

Wally disse...

Me sinto até ignorante lendo o post. Vi apenas um do Lean, que foi o ótimo Doutor Jivago. Espero ver muitos outros.

Ciao!

Gustavo H.R. disse...

Repito o que Wally disse, embora eu tenha visto LAWRENCE (supra-sumo dos épicos cinematográficos), PONTE DO RIO KWAI e DOUTOR JIVAGO, mas não suas obras mais antigas e intimistas, como esse DESENCANTO, que, pelo visto, deve ser belíssimo e singelo.
Não sabia que os franceses (em se tratando de crítica, eles tendem a ser considerados com maior credibilidade, não?) passaram a criticá-lo depois que firmou sua preferência por produções grandiosas.

Cumps.

Kamila disse...

William, este seu belíssimo post vem em ótima hora, já que, recentemente, tivemos o centenário de nascimento de David Lean. Eu assisti somente a dois filmes de sua obra completa: "Lawrence da Arábia" e "A Ponte do Rio Kwai" e, neles, podemos encontrar toda a perfeição técnica que marcam os filmes do diretor.

Vulgo Dudu disse...

Conheço muito pouco da obra dele. Mas deu vontade de ver esse "Desencanto". Por isso que essa sua coluna é boa!

Abs!

Rodrigo Fernandes disse...

Grande diretor.. adoro o "A Ponte do Rio Kwai", "Dr. jivago" é ótimo, porém sofri a rpimeira vez qdo o vi, por ser longo..."Lawrence da Arábia" é um grande clássico...
Cineasta de grandes épicos, pelo menos foram esses os quais eu conheci, tenho que ver esses mais 'normais' da filmografia dele.. os dramas como por exemplo esse "a filha de ryan", outros já são quase impossiveis de se encontrarem, volta e meia assisto em algum canal considerado masi cult na tv por assinatura, ehhehe
adorei seu blog, não vou mais esquecer o caminho, rs...
Abraços, William!!!

Adam Fischler disse...

Fazia eras que eu não atualizava meu blog e resolvi fazê-lo hoje. Vi que tinha um comentário seu lá e resolvi entrar aqui para conhecer. Me adiciona no msn!

adam_fischler@hotmail.com

abraço!

Atila Francis disse...

Que bárbaro, Wiliam, vc fazer esse trabalho primoroso sobre David Lean. Para mim, ele foi um dos mais completos cineastas de todos os tempos. Seus filmes são verdadeiras obras-primas. Sou apaixonado por LAWRENCE DA ARÁBIA; achei triunfal A PONTE DO RIO KWAI; amo demais A FILHA DE RYAN, é um dos filmes mais bonitos do cinema, absolutamente belo e extraordinário; DOUTOR JIVAGO é sem comentários, um filme lindo demais, uma realização cinematográfica das mais fantásticas. Parabéns por esse post. Estou ansioso pelo próximos, Truffaut, Scorsese, Kubrick, Buñuel etc... Bjussss

Vinicius Lemos disse...

Will vc participou da Mostra na Oficina Cultual sobre o Lean?

Cine Oba! disse...

Consegui a façanha de não ter assistido nenhum filme deste mestre!
Já ouvi falar muito em Lawrence da Arabia e A ponde do rio Kwai...


Gustavo Madruga

Anônimo disse...

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semelokertes marchimundui

Anônimo disse...

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